Londres a duas velocidades

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Londres é vista como uma cidade de oportunidades. O centro do Universo. A cidade onde tudo surge primeiro. Uma imagem criada e mantida para um propósito maior: a evolução económica.

O desencanto profissional de Londres surge quando muitos se começam a inteirar que nem tudo é perfeito por estas bandas. Apesar de haver lugares que se aproximam da perfeição, a capital inglesa é movida a duas velocidades. No fundo, Londres é exactamente igual a uma Lisboa ou a uma Madrid, mas a uma escala bem maior.

Discutia recentemente com uma co-lega brasileira os avanços da indústria da comunicação por estas bandas. Não poderíamos estar mais de acordo: Londres apenas copia o que surge primeiro nos Estados Unidos. Aliás, Dublin copia o que surge na América e Londres copia/executa as ordens vindas de Dublin – onde estão sedeadas as grandes empresas como a Google ou o Facebook, por exemplo.

Sem dúvida que é em Londres que se vêem os grandes avanços europeus. Mas não é aqui que, na esmagadora maioria das vezes, eles são pensados. É aí que surge alguma perplexidade e desmotivação. Há cinco erros básicos cometidos pelas empresas: apoiam-se em velhas estratégias, apenas copiam os líderes da indústria, não há foco na construção de resultados, uso das redes sociais de forma leviana e uma tentativa de se ser melhor em vez de uma aposta na construção de relações. Mais uma vez recordo: estamos a falar de Inglaterra, não de Portugal.

Esta dupla face de Londres é assustadora. E é por isso que a opinião dos portugueses emigrantes nesta cidade contrasta tanto. É que há uma minoria que teve a sorte/privilégio de trabalhar no lado mais inovador da cidade; e uma maioria que está retida no lado mais conservador e abrangente da economia londrina.

Há duas realidades distintas. A dos bons empregos e bem pagos: onde quase diariamente há uma luta pelos melhores trabalhadores e onde constantemente há contratações de funcionários a empresas concorrentes – quase como no futebol; e a dos restantes: onde é o trabalhador que tem bater à porta das empresa, passar por entrevistas de emprego humilhantes, etc.

Portugal começa agora um novo ciclo. É tempo de perceber que não somos diferentes dos outros. Que não somos mais pequenos que ninguém. Apenas temos que mudar a nossa cultura empresarial, fazendo uma aposta para que haja cada vez mais empresas a seguir os bons exemplos mundiais. É tempo do Estado entender que as Pequenas e Médias Empresas não sobrevivem com tantos impostos, e são elas as responsáveis por cerca de 85% dos postos de trabalho no nosso País.

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