João-Filipe-Pereira_PB-150x150JOÃO FILIPE PEREIRA

 

 

Estranhos e raros tempos estes em que é o País que comanda o povo. É o sistema implementado que dita o que pensar, como pensar e, por ventura, como e quando agir. 

Tudo é cíclico na História. Os livros contam-nos como definharam antigas civilizações, antigos impérios, antigos sistemas políticos… Mas parece que não há quem os leia. E quem os lê e os entende acaba por ser afastado de uma sociedade actual completamente amorfa. Acabam estes sujeitos pensadores e inteligentes atirados para um lado esquecido do dia-a-dia, como aquele génio português que venceu recentemente o Quem Quer Ser Milionário.

Passamos na nossa curta existência democrática de um Leviatã (de Thomas Hobbes) para uma vida de fachada, reserva e vergonha explicada em “A Representação do Eu na Vida Quotidiana” (de Erving Goffman).

Vivemos com medo. Sem convicções. Sem ideais.

Receamos que as nossas opiniões sejam contrárias às estipuladas pelo sistema, pela sociedade, pela massa amorfa que povoa esta Terra.

As revoluções nunca foram feitas pelas maiorias. As mudanças são feitas pelas minorias corajosas que conseguem, através das suas acções, vender a sua ideia a multidões sedentas de novidades.

Olhemos para os catalães. Sedentos, muitos deles, de uma nova vida. De uma nova realidade afastada de uma Espanha “indivisível”, graças à Constituição Portuguesa. Olhemos para uma Galiza que pisca o olho ao Norte português.

Os povos são maiores que os seus países. Os povos criam e mantém os seus próprios países, e não o inverso.

Onde pára esse povo aventureiro que descobriu o caminho marítimo para a Índia, que descobriu o Brasil e todo um mundo desconhecido? Onde pára esse povo que fazia de Portugal um País tão grande como toda a Europa?

Os países não se medem por palmos de terra. Nós somos tão pequenos ou tão grandes quanto as nossas acções.

Estamos a caminhar para um fim de ciclo sem saber o que está escrito na próxima página. Os livros de História falam desses tempos obscuros e de incerteza que se repetem tão certamente como é certo a noite aparecer depois do dia, como são certas as fases da Lua.

Os capítulos são escritos a cada dia. Enquanto povo, são as nossas opções que ditam o País que temos. São as nossas acções como um todo que ditam o nosso presente e o nosso futuro.

É hora de assumir que D. Sebastião não irá regressar.

O Rei está morto. Longa vida ao Rei!

 

  • Pedro Lopes

    “Fraco líder faz fraca a forte gente”, Luís Vaz de Camões.