JOÃO FILIPE PEREIRA

A última semana trouxe ao de cima sentimentos e opiniões que do ponto de vista político, sociológico e, até, psicológico são verdadeiros casos de estudo. Eu vi a loucura sair à rua de mão dada com a histeria.

Estamos a voltar aos tempos antigos. Em que as divisões políticas tinham consequências nas ruas. Uma Esquerda chama-lhe – erradamente, nos mais diversos campos de análise – o regresso do Fascismo. Parece-me mais um regresso ao pós-25 de Abril. Um PREC não-militarizado.

António Costa – que, sob ordens de Mário Soares, apunhalou Seguro e fez um ataque à liderança dos socialistas – perdeu umas eleições que se seguiram a quatro anos de pleno terror social. Agora, após o sufrágio, luta o PS por unir uma Esquerda que se mostrou completamente fragmentada e com programas eleitorais opostos durante a campanha.

As eleições são o expressar concreto da vontade do Povo. E, independentemente, das nossas escolhas, a verdade é que o programa mais votado foi o da coligação PSD/CDS-PP. É igualmente verdade que o programa mais parecido ao da coligação é o do PS, segundo partido mais votado. Torna-se claro que os portugueses querem um Bloco Central.

Porém, a vontade do Povo causa problemas ao PS. E aí surgem as lutas de argumentos. Há quem defenda um governo minoritário de Direita ou então que os três partidos da Esquerda Parlamentar se unam para viabilizar um Governo maioritário.

O actual líder do PS, que há quatro anos defendia que um Governo não poderia nascer dos jogos políticos pós-eleitorais, parece inclinado a rumar à Esquerda, usar o PS para fazer um ataque ao Poder e salvar assim a imagem de fraco líder – que “ganhou” por poucochinho.

Os moderados que se fazem ouvir nestes dias são tidos por loucos. Ser moderado é radical hoje em dia. São tempos em que se têm de abraçar causas fracturantes e quem não o fizer é atacado ferozmente.

A Esquerda não é um partido. Ainda que nos queiram vender essa imagem. PCP e Bloco sempre atacaram as ideias do PS. Mas parece que o cheiro do Poder os fez esquecer isso – seguramente, em nome da Nação.

Mas já nada me admira em Portugal. Não é que a semana passada andaram a atacar um jornalista porque se equivocou a lançar uma peça? José Rodrigues dos Santos (J.R.S.) foi atacado infamemente por pensar que o deputado mais velho do parlamento era uma senhora.

Para o azar de J.R.S., o deputado é um homem – e ao que parece – homossexual. A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (entidades que me fazem ter vergonha do modo como o jornalismo é tratado em Portugal) viram aqui um ataque ao deputado.

Ser idiota e imbecil é um direito (seguirei defendendo o direito a que todos tenhamos esse direito) e, portanto, foi ver as redes sociais incendiarem-se contra o profissional da RTP. Também António Costa exigiu uma resposta severa da RTP. Assim como o deputado visado, que exigiu um pedido de desculpas aos seus eleitores (!).

Os direitos em Portugal são mesmo para todos…