Paris visto de Londres

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JOÃO FILIPE PEREIRA

É Sábado, 14. Poucas horas passaram desde os ataques desta sexta-feira, 13, em Paris. Não estranhe o leitor se a escassa informação que circula neste momento esteja desactualizada quando este jornal lhe chegar às mãos.

Há coisas, porém, que o tempo não muda de um dia para o outro. O sentimento de (in)segurança é uma dessas “coisas”. Trabalho a escassos quarteirões onde num inesquecível 7 de Julho ocorreram atentados terroristas. Paris volta a assombrar Londres, uma cidade que vive há 10 anos com níveis máximos de alerta terrorista. Mas não se nota.

Ou pelo menos, mal se nota. Já tive a minha bagagem no aeroporto retida sem motivo aparente e até já assisti aqui no bairro a uma acção policial daquelas bem grandes.

A vigilância é feita ao segundo e os cidadãos aprenderam a viver com ela. Até agora não é tão má como George Orwell descreveu. Até agora… O futuro desenha-se em páginas manchadas a sangue.

A cada gota de sangue derramada por inocentes europeus, as políticas do “velho continente” tornam-se mais restritas. A desunião ganha força quando a união não tem força. A União Europeia parece uma brincadeira de crianças crescidas. Uma Instituição sem poder que enche os bolsos a milhares.

A solidariedade demonstrada em público por anónimos e menos anónimos é bonita de se ver, mas sabe a pouco no final do dia. É preciso agir. É preciso saber para onde queremos caminhar e com quem.

Pelo Reino Unido o caminho é cada vez mais o de seguir o trilho sozinho. Os britânicos sentem-se ameaçados com as políticas pouco seguradas dos restantes países europeus. A superioridade moral e intelectual com que os ingleses olham para os restantes povos também não ajuda na hora de se chegar a acordo.

Os Estados Unidos mantém-se afastados até que os problemas os afectam directamente. Ou até quando cheire a petróleo ou a dólares. A Base das Lajes tem na memória uma famosa Cimeira que deu origem a um dos maiores erros da História recente: a invasão do Iraque. Muitos anos já passaram, mas as consequências estão aí.

Por Londres, vamos continuar a viver. Ficar em casa não é solução. Ficar em casa é sobreviver, não é viver. O medo não poderá vencer, porque é em períodos de medo que se tomam as piores políticas contra os cidadãos.

O que é preciso mais para que a Europa entenda que é preciso uma intervenção na raiz do problema? Iremos entender agora do que estão a fugir os refugiados?

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