JOÃO FILIPE PEREIRA

Portugal é um País ‘sui generis’. Durante as Legislativas andámos a discutir Presidenciais e agora que a campanha para escolher o futuro Presidente da República está a arrancar andamos a ver quem é o primeiro a roer a corda a Costa.

Os portugueses estão a assumir uma vitória de Marcelo nas Presidenciais, o que pode prejudicar o candidato apoiado por um contrariado PSD de Passos e por um CDS sem alternativas. À Esquerda, os candidatos multiplicam-se e Sampaio da Nóvoa poderá até ser o novo Alegre dos socialistas. Quanto a Maria de Belém, a única coisa que peço é que em caso de vitória não venha com a história da “Presidenta”, com “a” no fim, como simbolismo de algo para o qual não foi eleita. De resto, pouco ou nada interessa verdadeiramente.

Os portugueses já pensam no Natal enquanto esperam os tempos de trinchar o peru e dar as primeiras facadas à Esquerda. As apostas são sobre qual a primeira crise entre o Governo PS e os quatro parceiros parlamentares. As redacções dos jornais – aquelas que ainda existem – rejubilam a cada possibilidade, mas, por enquanto, um escondido e pouco interventivo Costa parece estar a conseguir governar bem com as políticas de PCP, BE, Os Verdes e PAN.

O próximo Presidente da República terá um árduo trabalho entre mãos. Mas iremos ter tempo de pensar sobre isso depois do Ano Novo. Primeiro, há que decidir onde passar a última noite do ano e com quem.

Entretanto, irão desembarcar e embarcar nos aeroportos portugueses os milhares (milhões?) de portugueses emigrados para o reencontro familiar. Motivo mais que suficiente para fazer uma pausa na política nacional. É que há coisas realmente bem mais importantes que o assalto ao poder de Costa e do azedume de Passos em apoiar Marcelo.

Quem disse que há uma temporada sem notícias para os jornalistas? Não em Portugal. Aliás, até já há cada vez menos jornalistas para tanta notícia. Os portugueses voltaram costas ao Jornalismo. As “internets” têm tudo e já ninguém precisa de comprar jornais. Esquecem-se muitos leitores que para se exigir um Jornalismo de qualidade é preciso pagar por ele. Caso contrário, continuaremos a assistir ao desmantelamento das redacções e às notícias sobre pandas a nascer na China que nos invadem o mural do Facebook.