Próximo passo: a re-independência nacional

Próximo passo: a re-independência nacional

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JOÃO FILIPE PEREIRA

Já perdi a conta às vezes que o FMI já veio assumir erros nos programas de “ajuda” aos países em crise, nomeadamente em Portugal. Em vésperas de Natal, esse cancro financeiro chamado Fundo Monetário Internacional veio de novo largar umas quantas lágrimas de arrependimento.

Não querendo entrar em grandes filosofias económicas ou financeiras – até porque essa não é a minha área mais forte – não vou divagar entre o que seria o perdão da dívida ou a reestruturação da mesma. Mas há uma questão que – enquanto contribuinte atacado por essa máquina brutal comandada por cobardes – não me sai da cabeça: ora, se Vítor Gaspar era um defensor do Excel do FMI, e se esse mesmo Excel estava errado, que raio foi o homem fazer para lá? E porquê? A troco de quê? Para pagar o quê a quem?

Sim, é mais do que uma pergunta.

E de facto surgem umas quantas outras logo de seguida. Por exemplo, se o perdão da dívida ou a reestruturação da mesma era a solução porque é que o governo grego do Syriza falhou ao tentar implementar essa estratégia? Quem não quer afinal que os países em crise saiam da crise? Quem é que está a enriquecer com a crise? Quem quer terminar com o projecto europeu?

Não acredito que centenas de especialistas que ganham milhões livres de impostos sejam ingénuos o suficiente para não saber a porcaria que andaram a fazer. Quando haverá alguém de dentro do FMI com a consciência pesada que conte exactamente quem liderou e pressionou toda a situação?

Só depois de termos estas perguntas respondidas teremos capacidades para seguir um modelo europeu. Até lá, pouco mais há a fazer do que lutar pela re-independência nacional.

Precisamos de um plano de valorização nacional. De como nos colocarmos na esfera global sem precisarmos de ninguém. Sem os condicionalismos de ninguém.

Basta. Chega de brincarem connosco.

É suficientemente mau termos um partido no Governo cujo a figura máxima é um homem há décadas envolvido em escândalos de capas de jornais, cujo processo judicial em curso ainda nem sequer vai a meio.

Quem é a mão do sistema?

Quando vamos entender que a ideologia esquerda/direita foi substituída por ideologias nacionalistas/globalistas. O binómio esquerda/direita já não explica o fenómeno político actual. Daí haver, ao mesmo tempo, tanta aproximação entre partidos da esquerda e da direita. Hoje, mais do que nunca, as políticas são entre o global e o nacional.

Portugal não precisa de um partido de esquerda ou de direita. Portugal precisa de um novo partido que lute pela nossa independência.