O drama dos sírios não é um problema (só) europeu

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João-Filipe-Pereira_PB-150x150JOÃO FILIPE PREREIRA

Hipócritas. Cambada de hipócritas que povoam este País a beira-mar plantado. Senhores do carneirismo e da falta de sentido crítico. Deuses do politicamente correcto e dos valores mediáticos. Esta é a realidade política, jornalística e social de Portugal e da Europa.

Vivemos tempos perigosos de acções espontâneas impulsionadas por um mundo gerido por ‘likes’ (“gostos”, em português) e partilhas da internet. Quem nos governa deveria ser superior a isso, mas não é. O jornalismo deveria ser superior a isso, mas não é. Como podemos pedir ao povo que o seja?

Falo do jornalismo, essa classe que até há pouco tempo puxava para si o papel de quarto poder. Deixaram as redacções de lutar por serem o “quarto poder”, deixaram de agir como tal e deixaram de exigir ao Poder que se comportasse como isso mesmo: Poder. O jornalismo quer que o Poder aja nos tempos impostos por um jornalismo cujos ‘timings’ são exigidos pelas redes sociais. Está tudo errado.

Uma bola de neve que todos vemos, mas ninguém sabe como parar. Uma vergonha para Portugal, mas também para a Europa. Não somos especiais, não somos caso único. A Europa está a perder-se. Esse tempo começou quando alguém quis que todos aceitassem tudo e todos. Analisemos os últimos eventos.

De repente quiseram impingir-nos que a Europa está a receber “migrantes” e não emigrantes. As mesmas pessoas que em Portugal dizem que a diminuição do desemprego se deve à emigração. Ou seja, os portugueses são emigrantes em França ou Inglaterra. Países esses da Europa. Mas pessoas cuja cultura difere em tudo com a nossa, que vêm fora do nosso continente, são “migrantes”. Porque é que raio eu tenho de ser emigrante para o meu País e ser imigrante para os britânicos enquanto estas pessoas que vêm de fora são migrantes? Não o são. São imigrantes e têm de ser tratados como tal.

Ou então vamos tratar esta gente como refugiados. E refugiados não são nem emigrantes nem migrantes. São refugiados. Num caso ou outro, o problema não é só europeu, muito menos de semântica. Não é a Europa que está a falhar. Não nos vendam mais esta mentira.

A Europa tem os seus próprios problemas. Portugal tem os seus próprios problemas. E os nossos problemas não são problemas de outros! Aliás, quando Portugal precisou de ajuda financeira apareceram as hienas capitalistas para nos sugar dinheiro em juros encapotando tal atitude como uma ajuda. Os mesmos que exigem agora da Europa um apoio multimilionário a um problema que ocorre fora de fronteiras. Um problema global, humanitário. Um problema para o qual existe a ONU e outras instituições – às quais damos dinheiro – para darem a melhor resposta possível.

Onde estavam estes dois milhões de euros que a Câmara Municipal de Lisboa quer arranjar para os refugiados? Onde estava este dinheiro quando era (e é) preciso para os sem-abrigo de Lisboa? Para os idosos com baixas reforma que vivem da caridade, para as crianças cujo jantar advém da ajuda solidária de instituições privadas ou ligadas à Igreja…

Somos motivados por uma foto de uma criança que morreu na praia? É isso que nos motiva? É isso que nos faz sentir menos mal connosco? Quantos dramas familiares, sociais conhecemos bem perto de nós? Quantas vezes trabalhámos em prol das famílias do nosso concelho? Da nossa freguesia? Do nosso bairro? Ou quantas vezes demos de comer ao vizinho da porta em frente, cujo filho tem dependência de drogas e até bate nos pais?

Movemo-nos pelo imediato. Sem espírito crítico. Tanto condenamos a morte do leão em África como da criança que tentava viajar com a família até ao Canadá. Tanto comentamos a fotografia de Joana Amaral Dias como a entrevista ao distribuidor da Telepizza.

Temos de parar.

Respirar.

Pensar e construir um juízo crítico.

Os milhões de emigrantes que fogem de uma realidade atroz e tentam chegar à Europa não querem saber da nossa cultura. Vão querer manter hábitos e costumes. Até onde vai a nossa tolerância com pessoas que jamais iriam tolerar os nossos hábitos e costumes nas suas terras? Como se espera que a Europa tolere (e se adapte) a todos os hábitos e costumes de pessoas que não aceitam que os turistas europeus ajam segundo os valores cristãos nos seus próprios países?

Não é racismo. Não é xenofobia. É a realidade. É a visão de alguém que vive numa cidade multicultural, como é Londres.

Na semana passada uma colega de trabalho dizia-me que outros descendentes de africanos (como ela) a viver em Londres se tinham comportado como macacos no carnaval da cidade, que decorreu há algumas semanas. Não o disse sem, no meio, especificar que ela o poderia dizer, dada a sua origem. Se eu o dissesse seria racismo, por certo.

Quando há algumas semanas uma carrinha foi encontrada na Áustria com imigrantes mortos, uma colega brasileira mostrou-se pouco impressionada. Disse-me que nós europeus éramos muito sentimentalistas. No Brasil morrem todos os dias milhares de pessoas. “É normal”, disse ela. A mesma pessoa que se demonstrou chocada e triste com a foto da criança morta na praia.

Somos hipócritas. Agimos pelos ‘likes’ no Facebook. Pelas fotos do leão ou das criancinhas… Enquanto isso, achamos que as guerras em África não são problema nosso. Que os conflitos na Síria são uma coisa lá bem longe.

A partir do momento que aceitamos receber refugiados temos o direito de intervir nestes conflitos e dizer basta!

Agora é um problema nosso. Vamos querer fechar os olhos e aceitar milhões de pessoas no nosso território, ou vamos querer fazer todos os possíveis para que estas pessoas não tenham de fugir de suas casas e passar por dramas horríveis em busca de uma terra prometida?

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  • Karine Silva

    Essa matéria, da forma que foi escrita, só tem cheiro de xenofobia!!! Que absurdo!! Os europeus são ricos porque a construção deste continente se deu às custas da exploração da África, da América Latina, do petróleo do oriente médio! Os europeus vivem confortavelmente às custas da exploração dessas regiões até hoje!! Essa guerra civil da Síria tem motivações político-econômicas: de um lado a Rússia, e do outro, os EUA com seu brinquedo, a ONU, e os seus lacaios/vampiros europeus. E as pessoas que não tem culpa, como ficarão? Se um europeu, como este que deu a opinião, não gosta que pessoas que são vítimas dos vampiros capitalistas busquem apenas viver e fugir da guerra em outras terras, por que ao invés de fazer apelo xenofóbico, não aconselham Os EUA e seus lacaios/vampiros europeus a pararem de sugar os recursos naturais, roubar, fornecer armas, explorar o trabalho quase escravo dessas populações?? Eu acredito que se houvesse um grito de guerra em prol da causa: senhores norte americanos e demais lacaios europeus parem de explorar as colônias!! Será que vocês não enxergam que, por causa dessa exploração, estamos conduzindo o mundo para a terceira guerra mundial!!?
    Ao invés de dar uma opinião tão em desacordo com os direitos humanos, tão xenofóbica, por que não dar uma sugestão dessa natureza para os lacaios/vampiros europeus?
    Eu sou brasileira, mas estou horrorizada com a opinião desta sua amiga brasileira. Aqui no Brasil a violência é enorme, no entanto, os brasileiros em geral, ainda não perderam a capacidade de se comover com o sofrimento alheio. Tanto é verdade, que o atual governo, apoia a vinda de refugiados Sírios para o Brasil. E como brasileira, tenho o prazer de receber e ajudar as vítimas dessa guerra, pois a maioria não tem culpa dos acontecimentos, apenas querem viver de forma digna.
    Sua opinião só mostra o quanto o ser humano já perdeu de sua essência humana, o que é lamentável!

    • RikRichard

      Oh, moçoila anafada, karine silva, que verborreia infecta a tua, que coisa fazes tu de útil na vida?
      Lá por tua casa tens popô? Carro, para que compreendas, Como se
      move? Com água, vento, gasolina ou gasóleo? Estes últimos são produto saído da tal exploração, o seu uso faz de ti uma exploradora!
      Tens luz em tua casa? Sabes o que faz funcionar as
      barragens para te dar a luz e o aquecimento? É o tal produto da exploração, tu és uma exploradora!
      Tens gás em tua casa? sabes de onde vem? Da exploração, tu és uma exploradora!
      E os hambúrgueres que a tua cara bolachuda denuncia sabes a origem? Made in United States, és uma exploradora!
      Os produtos de alimentação que entram na tua casa, porque acaso sabes o
      trabalho sacrifícios e suor que envolvem, e a que preço são pagos aos pobres
      agricultores, enquanto tu te vais anafando à custa dos pobres agricultores que
      produzem os produtos, e eles estão aqui não são de outro continente. Atarracha
      uma rolha na tua massa encefálica e pensa por ti pópria, para não despejares a verborreia infecta que te injectam pelas orelhas, não passas de uma exploradora rica que veio aqui denunciar-se, és uma exploradora que escrevinhou de barriga cheia.
      Deixarás de ser exploradora quando tu fores capaz, se é que tu és capaz em
      alguma coisa, de criares, de te bastares por ti própria em tudo, absolutamente
      tudo que necessitas para viver!