Símbolos, a Pátria e os portugueses

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João-Filipe-Pereira_PB-150x150Por estes dias viajei até Praga, uma cidade belíssima que mais parece ter sido tirada de um conto de fadas. Não esquecendo a história recente da República Checa e da antiga Checoslováquia, Praga está hoje de braços abertos para o mundo.

Numa cidade onde a História caminha lado a lado com o quotidiano é surpreendente que esse trilho seja feito, em muitos lugares, da tradicional calçada portuguesa. Enquanto a maltratamos e queremos sentenciar o seu fim em Lisboa, na capital checa este bem lusitano é preservado e admirado.

Há outros símbolos portugueses nestas paragens. Os checos têm aberto ao público o museu de presentes de outros países. Foi aqui que encontrei um prato português oferecido por Cavaco Silva à República Checa. Um prato que, tal como se vê na fotografia, se encontra guardado com o escudo ao contrário. Não podemos criticar os checos, que por certo terão visto o hastear da própria bandeira portuguesa ao contrário pelo Presidente Cavaco Silva.

prato

São sinais. Portugal não se valoriza e não pode esperar que sejam os outros povos a fazê-lo. O País, tal como o prato, está de pernas para o ar. Falta força anímica nos portugueses e no próprio Portugal. A sociedade parece ter desistido de se comportar como tal.

Não termos marcado presença na exposição gastronómica em Itália, pelo segundo ano consecutivo, é apenas um sinal da desvalorização a que nos prestamos. Não preservar património como a calçada é apenas outro sinal. Não preservar a língua e aceitar o acordo ortográfico de 1990 é somente outro pequeno sinal. A ver bem, o prato oferecido por Cavaco está na posição correcta. Tal como uma bandeira ao contrário, o escudo ao contrário é um pedido de ajuda, um grito mudo que só pode chamar a atenção.

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