Sócrates, Passos e Costa: Eles nem lembram ao diabo

0
1343

 

João-Filipe-Pereira_PB-150x150JOÃO FILIPE PEREIRA

Ele há coisas do arco da velha – expressão de origem bíblica que remete para a aliança que Deus fez com Noé. Na expressão “do arco da velha”, o termo “velha” representa a velha aliança que Deus formou com o Homem. Por esse motivo, o arco-irís também é conhecido como arco-da-aliança. Menos bíblico, mas de enorme aliança, é outro arco: o da governação. E esse não lembra nem ao diabo.

Esta semana havia decidido debruçar-me, neste espaço, sobre o livro “Cercado”. Uma obra que aborda alguns dos casos que envolveram José Sócrates. Mais do que o gosto (e necessidade!) do autor e jornalista Fernando Esteves em falar e analisar a indumentária das personagens ao longo do livro, achei curioso que as críticas que Sócrates fazia a Passos se tenham confirmado na generalidade.

O então primeiro-ministro criticava o seu oponente acusando-o de falta de ideologia política, falta de experiência política e profissional, e de Passos ir em busca de soluções que iriam estrangular a economia nacional.

Sócrates estava correcto. Pese embora as diferenças no caminho, estou convencido que Passos e Sócrates levariam ambos Portugal ao mesmo porto: o da amargura, das dificuldades e de uma austeridade assassina.

Ao debater o assunto com o estimado director deste jornal, Duarte Branquinho, recordei-me de uma capa de O DIABO em que este mesmo semanário afirmava categoricamente que Passos Coelho, caso vencesse as eleições, seria o espelho de José Sócrates. Em busca dessa mesma capa – obra sublime de Nuno Maldonado Tuna – sou alertado, na mais pura das coincidências, pela rede social Facebook que esse mesmo exemplar foi partilhado por mim há exactamente um ano. A edição de 29 de Março de 2011 falava sobre as eleições que se viriam a realizar nesse ano. A manchete era esclarecedora: “Ai, Portugal!”.

Capa Diabo 29 MAR 2011

Mais de quatro anos passados e essas palavras mantêm-se tão actuais. Em vez de Sócrates, bem que poderia estar Costa. A receita, independentemente dos partidos – os do “arco da governação” – é a mesma. Nas próximas eleições, estas de 2015, parece que os portugueses estão decididos a votar na continuidade ou na continuidade com nova cara.

Jerónimo de Sousa é o verdadeiro líder da Oposição – e Cavaco quase que lhe oferece esse estrelato cada vez que fala. Mas o PCP há muito que não é opção. O Bloco nunca o foi verdadeiramente. Marinho e Pinto estragou uma pintura quase finalizada. Rui Tavares, Joana Amaral Dias e toda a Esquerda fragmentada parecem jogar numa divisão paralela. A Direita anda ora adormecida, ora envergonhada…

Ai, Portugal!

COMPARTILHAR