Adeus, 2014. Viva 2015!!!

Adeus, 2014. Viva 2015!!!

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JOSÉ SERRÃO
O ano que ora finda fica internamente marcado por quatro casos, na minha modesta opinião:

1- O caso BES e a queda de um Império que ultrapassa, e muito, o sector financeiro. Com o BES cai o mito dos senhores todos poderosos que estão acima de tudo e de todos, que determinam a nossa vida colectiva, desde a política à economia, e que gozavam de uma impunidade, só própria dos monarcas em regime absolutista.

Em 2015 assistiremos às réplicas do terramoto que foi o fim de uma das mais antigas instituições portuguesas.

2- A detenção e a posterior prisão (preventiva) de José Sócrates trouxeram à colação uma nova realidade que poucos julgariam possível nos tempos que correm. A prisão de um ex-Primeiro-Ministro, indiciado por crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção caiu como uma bomba no nosso regime político.

Desde estados de negação, a tentativas de vitimização de Sócrates, como se se tratasse de um prisioneiro político sujeito indefeso à mais elaborada cabala, a condenações primárias em violação do princípio da presunção de inocência… assistimos a tudo um pouco.

Sócrates não é um preso político, não está à mercê da PIDE, que fique claro. Sócrates, como qualquer cidadão, está sujeito às leis do nosso Estado de Direito – curiosamente, o “autor” da última reforma penal (foi no seu Governo que ela se realizou) – e como tal deve ser tratado e respeitado. Era importante que os patriarcas do PS e outros assumidos pais da nossa democracia salientassem um dos mais elementares princípios da República: todos são iguais perante a lei, ninguém está acima da lei.

Era importante que valorassem o normal funcionamento das instituições e que não dessem o triste espectáculo de que Uns são mais iguais do que outros, os nossos camaradas, no caso (vide o caso Arnault com o livro que lhe foi devolvido pelo EPE no cumprimento da lei – também ela do governo Sócrates??!!).

3- A nova liderança do PS, resultado de um rocambolesco assalto ao poder no interior do partido. António Costa surgiu no pós-eleições europeias como um novo Messias e o Salvador da Pátria. O futuro dirá o que vale Costa e ao que vem. Será um novo Hollande ou efectivamente uma consequente e inovadora alternativa?

4- O dia 17 de Maio como o dia que marcou o fim do programa de resgate. Sabemos que as nuvens negras perduram nos céus lusitanos e irão inevitavelmente continuar, mas que se honrou o compromisso assinado internacionalmente, lá isso ninguém pode negar. A honra também conta.

A nível internacional, destaco:

1- O campeonato do Mundo de Futebol no Brasil, com a vitória alemã e aquele resultado histórico, que perdurará no tempo, da derrota caseira do Brasil por 7-1.

2- O combate ao Ébola e o perigo de contágio mundial, pondo em causa a saúde do planeta.

3- O surgimento do ISIS – Estado Islâmico – com todo um potencial de violência radicado num fanatismo religioso que está bem longe de ser sustentado no Livro Sagrado, mas que alicia jovens europeus, incluindo portugueses, e que se vai estendendo ao Ocidente.

4- A confirmação de que o Papa Francisco veio inovar e veio trazer uma nova luz ao mundo cristão. Se dúvidas houvesse, como foi corajoso, arrojado e marcante o seu discurso de Natal à Curia romana. Vale a pena ler, reler e meditar.

Mas permitam-me um toque pessoal:

Este ano de 2014 veio fazer de mim avô, o mais babado e feliz do mundo. Naturalmente, em pleno signo de leão – como não podia deixar de ser!!! – nasceu a bebé mais linda do mundo: a minha neta. Que a vida lhe sorria e que o mundo beneficie da sua vinda. Eu estou apenas grato…

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