Cem anos depois

Cem anos depois

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JOSÉ SERRÃO

Cem anos depois do início da Primeira Grande Guerra Mundial, a “Sociedade das Nações” parece ignorar os sinais dos tempos e, cegamente, revela indícios perturbadores da paz e da harmonia dos povos.

Bastaria falarmos da crise entre a Rússia e a Ucrânia e das sequelas da emergência de um Estado Islâmico, sem esquecer, nunca, a eterna guerra pela posse da Faixa de Gaza, para que nos obrigássemos a reflectir sobre o nosso futuro colectivo e a termos, como cidadãos deste Planeta, a obrigação estrita de construir a Paz e o progresso da humanidade.

A Rússia, a China e os Estados Unidos estão demasiado ocupados com os seus interesses hegemónicos.

WAR & CONFLICT BOOK ERA:  WORLD WAR I/THE FRONT

A Europa está em estado de estagnação, quase vegetativa, incapaz de se reconhecer internamente e assumir externamente o seu papel de “potência” falando a uma só voz, perdida nas suas quimeras, sem uma identidade e sem mais para oferecer do que uma fragmentação de nacionalismos, qual orquestra desordenada em que cada músico toca a seu belo prazer na falta da batuta do maestro.

Os países emergentes, entre eles o Brasil, parecem longe de quererem assumir os seus papéis de construtores deste Mundo Novo, por timidez ou porque demasiado envolvidos nas suas querelas internas.

As instâncias internacionais, como a ONU, estão demasiado reféns das potências dominantes e sem meios para poderem exercer uma acção mais efectiva do que o mero controlo diplomático, nem sempre eficaz e consistente.

Cem anos depois… parece demasiado longe dos nossos dias, algo recordado de quando em vez, perdido que está nos baús da nossa memória colectiva, que por vezes já nem tem a noção do tempo e que fala da Guerra com a mesma contemporaneidade das lendas Arturianas, das viagens dos descobrimentos, das guerras napoleónicas, das declarações de independência dos países das Américas e de África… e com o mesmo sentimento de algo insusceptível de se repetir, pelo mero decurso da vida, do progresso e da história.

Puro engano.

O mundo vive, e não me detive nos detalhes, nem podia, dada a dimensão da crónica, à beira de um “barril de pólvora” e qual “Louco”, caminhando entre mundos, continua ignorante dos sinais, a avançar para o precipício…

Urge fazer parar este “Louco”.

As crises económicas e financeiras, em que ainda vivemos, em nada ajudam neste desiderato colectivo, antes pelo contrário. O instinto de sobrevivência, individual e colectivo, tende a ignorar os valores, os princípios e os conceitos de Belo, de Ética, de Cultura e de Civilização.

A fome e o desespero, sem uma consciência superior activada e focada na Causa Maior da Vida – seja isso o que for para cada um de nós – conduzem à violência e à destruição.

De igual sorte, a culpabilização de tudo e de todos com a natural exclusão de nós e dos “nossos”, conduz ao egocentrismo e aos egoísmos tão eficazes na criação dos fundamentos da guerra e da destruição do outro.

Neste contexto internacional, só o diálogo entre os povos e as nações e uma acção cívica, consciente e determinada de todos nós poderá restaurar a confiança e impedir os devaneios belicistas e hegemónicos.

Despertemos…

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