Costa e o “animal feroz”

Costa e o “animal feroz”

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JOSÉ SERRÃOVieira da Silva e Ferro Rodrigues invocaram, por mais do que uma vez, o nome de José Sócrates, no recente debate de aprovação do Orçamento de Estado.

É notório o esforço da actual liderança do PS em trazer à tona da vida política, não só o nome, mas o legado (como se lhe referiu Vieira da Silva) de Sócrates.

Naturalmente poderia pensar-se que era uma forma de unir o PS no pós- Seguro, afirmando-se o passado do PS como um património histórico onde ninguém pode, nem deve, ser excluído.

Acontece, todavia, que tal desiderato, mais do que uma nobre missão de António Costa, com vista à conquista da sua maioria absoluta, tem algo mais, embora ainda velado.

As notícias sobre a hipotética candidatura de António Guterres a Secretário-Geral da ONU em 2016 vieram colocar ou recolocar Sócrates na corrida a Belém e para isso ser possível urge “limpar” ou “branquear” todo o passado do ex-Primeiro-Ministro.

O zeloso Costa, crente de que será o novo timoneiro desta pátria adormecida, investido no papel do Sebastião que chega na manhã de nevoeiro, por vontade própria ou por imposição de outros, está a abrir o caminho para o retorno grandioso do “animal feroz”. E que melhor do que suceder a Cavaco?

O actual PS já age como se as eleições do próximo ano fossem um mero plebiscito à sua futura governação e permite-se, em clima de Halloween, ressuscitar fantasmas e persuadir-nos com as teses de 2011 sufragadas negativamente pelo povo.

Esquece que não foi Passos Coelho que derrotou Sócrates. Foi o voto popular que disse não ao homem que em 2009, ignorando a crise internacional – com que mais tarde tudo pretendeu justificar –, decidiu por razões eleitoralistas aumentar salários e apoios sociais. Também, a bem da verdade, esse processo de colocar dinheiro na economia (?), como lhe chamou, era determinado pela vontade da Senhora Merkel (sim, a mesma de quem hoje o PS acusa Passos Coelho de ser o acólito…). E os célebres PECs não eram programas de austeridade? E que, ainda assim, nos conduziram ao pedido de resgate?

Costa, ao invés de nos dizer como vai fazer a economia crescer, criar postos de trabalho e, em simultâneo, reduzir o deficit, cumprir o pacto orçamental e honrar os compromissos com a Troika, “faz-se de morto” e cria as condições para a ressurreição de Sócrates, revelando, pelo menos na aparência, que o seu PS tem uma agenda escondida de poder e que lhe coube a ele ser o executor.

O tempo dirá, mas António Costa corre o risco de se desgastar antes do tempo, do seu tempo, e ao dar por adquirido aquilo que só o voto pode dar, transformar-se a breve trecho num “morto-vivo”… sem ideias e sem rumo.

Costa tem, dizem as sondagens, o poder à sua espera. Mas não basta deixar passar o tempo… Urge mostrar que não é mais do mesmo e nunca ignorar que o povo é sábio e tem memória.

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