Costa e o “Velho PS”

Costa e o “Velho PS”

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JOSÉ SERRÃO A eleição de António Costa fez ressurgir à luz da ribalta o “Velho PS”.

Foi curioso, mas simbolicamente relevante, assistir à aclamação de Costa com o testemunho político de Manuel Alegre e Ferro Rodrigues e dos mandatários César e Catarina Mendes. Na plateia, os velhos rostos dos governos de Sócrates e daqueles que conduziram o país ao pedido de resgate…

Ferro Rodrigues é o novo líder parlamentar num grupo polvilhado de seguristas, numa clara demonstração da incapacidade de renovação do partido, apesar da vitoria retumbante e inequívoca do ainda Edil de Lisboa.

Soube-se, entretanto, que a jogada política de Costa do assalto à cadeira do Rato começou bem antes das europeias: terá começado antes mesmo das autárquicas, quando Fernando Medina foi colocado como o número 2 da lista do PS.

O “Velho PS” deixou Seguro a queimar em lume brando. Impediu que Seguro tivesse aceite a proposta de Cavaco na agora certeza de que jamais quereriam tal líder como primeiro-ministro de Portugal…

Para onde caminha Costa e que compromissos teve que aceitar para chegar ao poder no partido? Para onde caminha Costa e para onde nos quer empurrar? Terá Costa a força que faltou a Seguro para resistir ao velho “Velho PS”? Será ele o líder deste “Velho PS” ou apenas o “seu testa de ferro”?

Os próximos tempos nos dirão quem é António Costa e ao que vem. Mais nos dirão, que propostas tem ele a apresentar para o Portugal de hoje e quem são os seus homens. Até quando estará viva a chama messiânica de Costa?

Questão lateral, mas nem por isso de somenos, é o que fará António José Seguro e o que farão os seus fiéis apaniguados.

Seguro foi digno na hora de assumir a derrota e foi grave no dizer adeus. Afirmou voltar a ser um militante de base e foi simbolicamente relevante o episódio de entrar no seu carro com a família e partir do Largo do Rato. Mas alguém acredita que apoiará Costa e o seu programa, assim sem mais?

Seguro pode continuar militante, mas será sempre um fantasma sobre Costa e sobre todos os históricos do PS e, em caso de derrota ou de este não atingir os seus objectivos, um justiceiro implacável, sequioso de reclamar aquilo que entende ter-lhe sido cerceado.

A vida não será fácil para António Costa, nem com o endeusamento criado pela comunicação social.

Nos discursos comemorativos do 5 de Outubro, Costa colou-se à sua acção como autarca de Lisboa e como um paladino do municipalismo e da descentralização. A partir de agora Lisboa será, para o bem e para o mal, a sua garantia pessoal, o seu aval. A coligação governamental não precisará de pesquisar muito para encontrar um calcanhar de Aquiles: basta lembrar o que disse Seguro sobre a fibra descentralizadora de Costa… no segundo debate entre ambos.

Finalizando, realçando a lucidez de Cavaco ao invocar o desgaste e a desconfiança dos eleitores nos seus eleitos e a exigir mudanças profundas no comportamento dos políticos. Exigiu, ainda e bem, com reforço pelo que se passa nos países europeus mais desenvolvidos e democraticamente mais sólidos, compromissos sérios de curto e médio prazo entre os partidos, como base de apoio, sólida e reforçada, dos governos da República.

Portugal não pode esperar mais. A partidarite e os partidocráticos têm de compreender, uma vez por todas, que não são donos da democracia e que os seus interesses pessoais devem ser escrutinados.

Portugal não pode resistir muito mais tempo a esta hemorragia interna que só aos mesmos importa e só aos mesmos interessa. Basta…

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  • takitalitala

    Jornalismo sério e a serio.