Música celestial

Música celestial

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O PS tem dado um triste espectáculo nesta sua campanha interna para a escolha do candidato a Primeiro-Ministro e futuro líder do PS.

A uma ausência de ideias para Portugal, a um consequente debate vazio, oco e sem qualquer conteúdo ideológico ou mesmo programático, a disputa centra-se no “eu sou melhor que tu”, com Costa a autoproclamar-se o Grande Líder pelo qual o partido ansiava e o país desesperava e Seguro a vitimizar-se, ignorando que a gratidão em política (como no resto, infelizmente) é apenas uma figura de estilo ou de mera retórica.

Todo o foco político nestas eleições internas mas de inquestionável importância para o país radica em quem pode derrotar Passos Coelho nas eleições legislativas. A lógica subsumida na premissa é a de pura conquista do poder. Do poder pelo poder.

Ninguém pode iludir-se que, uma vez conquistada a cadeira de S. Bento, de imediato se perfilarão outros candidatos à sucessão. No entretanto fica Portugal…

É neste ciclo e contra-ciclo, versão moderna do rotativismo do século XIX, que nos encontramos. A política transformada numa mera luta clubística dos bons (os meus, do meu partido, da minha facção dentro do partido, dos meus apoiantes…) e os maus (os outros, todos os outros que dentro e fora do partido me impedem de conquistar o poder e de ser o poder – vã ilusão!).

Perdido o discernimento e a capacidade de se colocarem ao serviço da Causa Pública pelo apelo cego do poder pelo poder, os nossos políticos dão uma confrangedora ideia de gente incapaz de singrar sem o recurso ao viciante jogo das influências e do domínio.

É neste contexto que ninguém se pode espantar com as “golpadas” nos cadernos eleitorais, com as “fraternais” acusações de adulteração dos cadernos eleitorais, de quotas pagas em série, de dezenas de supostos militantes com a mesma residência, com os incontornáveis “moralistas” de cada uma das facções a imputaram as ilegalidades à parte contrária e a rasgarem as vestes da ofensa de lhes imputarem exactamente o mesmo.

Depois de tudo o que se tem visto na casa socialista quem pode ficar descansado que algo de novo está para chegar à política em Portugal?

Quem pode gritar hossanas ao novo Messias que chega da Praça do Município com vontade de chegar ao Palácio de S. Bento?

Que pode o PS afirmar que possa, de facto, ser levado a sério?

Costa, conhecedor dos primeiros resultados das eleições para as Federações, apressou-se a vir clamar que é a hora de pensar em cicatrizar as feridas. Está, como político experiente, bem ciente do que será o PS no dia 29 de Setembro. Bem sabe que nada ficará como dantes. Bem sabe que se foi longe de mais e que muito dificilmente os “camaradas” do Rato se voltarão a olhar da mesma forma. Bem sabe que a sua liderança poderá sempre ser posta em causa em qualquer momento, em qualquer circunstância, sempre que o cheiro do poder entrar pelas narinas dos sequiosos pelo mesmo. O precedente foi criado…!!!

 Aguardemos pelos debates televisivos que, naturalmente, só podem melhorar a situação presente… mas só depois de ver, como S. Tomé… sendo que as declarações de unidade do partido, de proclamação do pluralismo e força do debate interno, de um partido mais pujante e vigoroso, de que o adversário política é o Governo, etc., etc… – a que todos assistiremos na noite eleitoral – nada mais são do que música celestial para os ouvidos dos incautos (ainda os há?… não creio…)

Cá para mim… teremos mais do mesmo… e depois que não se queixem os senhores da guerra…

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