Dia de Reis

Dia de Reis

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LUÍSA VENTURINI
Hoje, parece-me que vem a propósito recordar os Três Reis Magos.

Aparentemente tudo começa com uma passagem do Evangelho de São Mateus, que se crê ter sido escrito entre 80 e 90 d.C. Nela, o autor conta que uns magos do Oriente chegaram a Jerusalém perguntando onde poderiam ir prestar homenagem ao rei recém-nascido. Herodes, ao saber disto, consultou os sacerdotes e os escribas que lhe disseram ser Belém da Judeia o lugar indicado pelas profecias.

Então, temendo perder o poder com o nascimento do anunciado Messias, Herodes usa um estratagema e chama os magos, pedindo-lhes que encontrem rapidamente a criança nessa cidade, pois também ele gostaria de ir saudá-la. E os sábios assim fizeram, seguindo uma estrela que se deteve no local onde o Menino nascera e aí lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Mas, alertados por um sonho, não informaram o rei da Judeia, cujas intenções se manifestaram naquilo que o mesmo Evangelho refere como o cumprimento da profecia de Jeremias, ou seja a matança dos inocentes.

Mas voltemos aos homens sábios. Segundo parece, é num manuscrito grego provavelmente do séc. V, cuja tradução para latim, no séc. VIII, é conhecida como “Excerpta Latina Barbari”, que pela primeira vez se fica a saber que esses magos eram três reis: Melchior, vindo da Pérsia; Gaspar, vindo da Índia; e Baltazar, vindo da Arábia.

São muitas as tradições e as lendas que lhes estão ligadas, mas talvez a mais comum no ocidente seja a que inspirou o quadro de Giotto (séc. XIV), “A Adoração dos Magos”, que nos mostra Gaspar como um homem idoso, de barbas brancas, e o primeiro a prostrar-se e a oferecer o ouro; Melchior, de meia idade, de cabelos e barbas castanhas, a entregar o incenso; e Baltazar, um jovem negro que apresenta a mirra.

Sobre o que se passou depois, conta-se que São Tomé os terá visitado, aquando da sua viagem à Índia, e que nessa ocasião os teria baptizado.

No séc. XIII, Marco Polo diz que viu os seus três túmulos em Saveh, na Pérsia, e que os seus corpos se encontravam intactos, com cabelo e barba. Mas também se conta que os seus restos mortais foram encontrados por Santa Helena, no séc. IV, aquando da sua peregrinação, e levados para a Hagia Sophia, em Constantinopla, donde foram transladados para Milão e daí para a Catedral de Colónia, onde o Relicário dos Três Reis, que data do séc. XII, se encontra ainda hoje, havendo mesmo registo, numa biografia do Bispo de Milão, de que houve testemunhas presenciais dessa trasladação.

Seja como for, o Dia de Reis continua a ser santificado pelos Católicos Romanos e Ortodoxos e é celebrado por diversas culturas de acordo com as suas próprias tradições – em Portugal, continuamos a alumiar as mesas com a coroa do Bolo-Rei, ainda que já sem os antigos símbolos do brinde e da fava.

Assim, nesta data em que rematamos a estação natalícia, pois tenhamos um belo Dia de Reis!

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