Pensamentos

Pensamentos

0 829
LUÍSA VENTURINIHoje dei comigo a pensar que, de algum modo, o mundo (ou, melhor, as galáxias dos mundos individuais) é uma imensa teia de milhares e milhares de filamentos.

Por estranho que me pareça nestes tempos de des-esperança, são quase todos de luz e a aranha, a bela, a magnífica, a maternal Nit tece-os em todas as declinações do amor.

Para ela, obviamente, não há qualquer diferença. Somos nós, com a nossa necessidade de reconhecer e reflectir um padrão, que criamos nominativos e vocativos, acusativos e genitivos, dativos e ablativos, fora que andamos da Unidade do Logos primordial, o tal de que em certos sítios se diz “no princípio era o Verbo”, aquele que é o locus de toda a criação (não, nem criacionismo nem darwinismo, não agora, por favor), aquele ponto imaterial de puro breu onde toda a luz é gerada, onde há o parto cósmico do 2 e se inicia epicamente a aventura da consciência e do conhecimento.

Com outro glossário, poderia até chamar-lhe de Pátria Pentecostal, o primeiro reduto de Brahma – o “X” no mapa onde reside eternamente o Tesouro Supremo que quer, porque quer, conhecer-se. E nessa luz que cria para conhecer-se, nesse 2, já está contida a dinâmica entre eles, potência de tudo o que pode vir a ser porque, simplesmente, naquele breu maternal, já existe desde sempre e para todo o sempre.

E depois surge esta perplexidade da nossa própria finitude que tem dificuldade em entender o que não gerou nem foi gerado e que, no entanto, sofre voluntariamente a demando do exilado, pois um micronésimo do éon da consciência universal, da centelha, ainda late na experiência da vida do ser, que não sabe e, no entanto, sabe; que se afastou do Verbo e que, no entanto, dele provém em espírito, consciência e conhecimento.

E a consciência que nos leva na viagem entre a constatação da perplexidade e a constatação do saber já encontrou o seu destino, apesar das estações, da repetição das estações, da rotina das estações, qual obra concluída ao negro que sabe em si o rubro, o branco e o ouro.

E tudo isto só vai acontecendo – sim, os maravilhosos gerúndios – enquanto atentarmos nos filamentos e, com Nit, escolhermos tecê-los, entrançá-los, burilá-los, bebendo da luz para precipitarmos amor – declinado humanamente até que a sabedoria dos Hierofantes toque a fímbria dos nossos cabelos e aí passemos a ser, deixando de ser, perdendo-nos e encontrando-nos para sempre em Nit, talvez no Verbo, certamente num qualquer ponto do éon, no que não tem padrão nem nome, no que não gerou nem foi gerado.

…Bom dia!

ARTIGOS SIMILARES

0 370