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MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

Estado Islâmico atingido

O chamado “Estado Islâmico” viu eliminados 30 dos seus dirigentes mais destacados, incluindo Hafiz Saeed, chefe do grupo no Afeganistão e Paquistão. Foi dia 10 de Julho, Sexta-Feira passada, na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. O ataque foi americano e por intermédio de um míssil disparado de um drone.

Trata-se de uma vitória importante. Estes homens não se importam de enviar outros para o chamado “martírio” em nome de Alá, no entanto quando lhes toca a vez não são tão voluntaristas. Será importante decapitar fortemente as chefias do chamado “Estado Islâmico” de forma a limitar a sua actividade. Trata-se de uma luta de vida ou de morte entre a civilização e a barbárie e todos os meios ao alcance do Ocidente devem ser empregues para destruir a hidra.

A tontice da Grécia

Continua a tontice dos chefes europeus face à Grécia. Uma dívida que não se pode pagar, porque o país não tem recursos, e uma crise que pode alastrar aos mercados de capitais, como se vê com a presente crise chinesa, que pode influenciar a vida de milhares de milhões de pessoas, criando miséria e infelicidade. A Grécia é estratégica para o Ocidente. Já a deixaram cair nas mãos do Syriza. Estão à espera de que a Rússia, ortodoxa e próxima, filosoficamente, dos gregos, tome conta da Grécia?

A falta de inteligência, a tacanhez e a obstinação dos alemães trará mais prejuízo à sua economia e à economia europeia, incluindo a nossa, do que uma solução americana. Emprestar a juro zero, com carências de dezenas de anos, dinheiro impresso pelo BCE e exigência de rigor orçamental e de controlo das contas públicas, apenas isso resolveria a crise da dívida. Ainda não perceberam? O problema maior é que os europeus têm de lidar com gente em quem não confiam, quando antes poderiam ter resolvido a situação antes de a esquerda radical ter tomado conta do poder. Hoje os heróis da Grécia seriam a senhora Merkl e o Doctor Strangelove.

Ainda os Balcãs

Aleksandar Vucic, primeiro-ministro sérvio, foi obrigado a fugir na cerimónia do 20.º aniversário do massacre de mais oito mil muçulmanos, às mãos do exército sérvio da Bósnia. Em Belgrado fala-se em “tentativa de assassínio”. A Presidência da Bósnia-Herzegovina condenou. Enfim, a questão balcânica continua sempre quente e a memória daquela gente não esfria em 500 anos, quanto mais em 20!

Os ressentimentos entre Sérvios contra Albaneses e Bósnios, e vice-versa, datam do Império Otomano, em que os muçulmanos, reis e senhores, tratavam os sérvios como escravos, daí o nome, sérvio quer mesmo dizer servo. O povo Sérvio, cristão ortodoxo, guerreiro, combativo e orgulhoso nunca perdoou os quase 500 anos de infâmia por que passou; os croatas, ali mesmo ao lado, católicos e fascistas, também não. Quando na mó de cima, aproveitaram para liquidar alguns muçulmanos que queriam a independência sob o seu domínio exclusivo da Bósnia e Herzegóvina. Hoje o primeiro-ministro sérvio, que ou é parvo ou bem-intencionado, e nega que a morte de oito mil inimigos seja um genocídio, que aliás não é, levou com pedras numa pretensa cerimónia de reconciliação que nunca o será. Daqui observamos mas temos de perceber o contexto e, no caso de tomar partido, perceber muito bem todas as nuances, impossíveis de explicar aqui, de um conflito com meio milénio.

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