“Costa rameira da esquerda”, podia-se ler num cartaz à porta do congresso do PS. Este cartaz fazia parte da manifestação dos colégios privados que vão deixar de receber subsídios do Estado para financiar os seus lucros e para os pais dos respectivos meninos não pagarem as mensalidades.

Há aqui, numa frase tão curta, diversos equívocos. A questão não é entre esquerda e direita; curiosamente, a decisão de deixar de financiar os tais colégios privados é precisamente uma decisão de direita, no sentido de deixar o mercado funcionar sem distorções, é uma medida liberal que se saúda.

O segundo equívoco é chamar “rameira”, que significa prostituta, para pôr a questão em termos suaves, a Costa. Devo dizer que detesto o personagem, mas não é Costa que é aqui a rameira (a questão é até mais de outro âmbito), são os colégios privados que andam a mamar na teta do Estado, de todos os outros cidadãos e dos contribuintes em geral. Exercer capitalismo sem risco não é ser iniciativa privada, é socialização do dinheiro dos outros para sustentar lucros e vícios privados. De forma que, nesta questão, chamar a Costa rameira é perverter e subverter a questão.

Finalmente, surge o terceiro equívoco: estes colégios arrogam-se de uma grande superioridade moral, o que já sabemos é totalmente falso, arrogam-se uma grande qualidade de ensino e valores éticos.

Ora este cartaz desmente liminarmente os seus autores: chamar puta (com uma palavra menos habitual, mas muito popular, ao contrário da mais sofisticada “meretriz”) a um primeiro-ministro de Portugal, sejamos de direita ou de esquerda, e todos deveremos concordar, nem sequer é um exagero, é mesmo ultrapassar todas as marcas da decência e da liberdade de expressão, é passar ao insulto, à calúnia e à difamação, não é valor que dignifique quem o escreve. É uma questão de ofensas ao cargo de primeiro-ministro da Nação, seja este quem for. Os dirigentes desta onda de putativa indignação não mandaram retirar o cartaz que figurou nesta manifestação organizada, o que é revelador do carácter e qualidade real dos valores morais e éticos de quem está por detrás destas organizações.

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Esperamos que as autoridades judiciais, o Ministério Público para começar e os tribunais posteriormente, identifiquem e punam severamente os autores deste despautério. Mas, e nessa questão, Costa tem muitas responsabilidades, o mais habitual é a culpa morrer solteira neste País que é apenas um arremedo de Estado de direito.

Lei sobre touradas não passa

O parlamento português não deixou passar as leis contra a tauromaquia. Certos excêntricos, que pretendem a destruição da memória colectiva e dos valores profundos do nosso País, pretendiam consagrar um ataque civilizacional contra uma cultura, uma história e uma tradição extremamente viva em Portugal.

Tornar os animais equivalentes, do ponto de vista ético e moral, aos seres humanos é eleger a bestialidade como paradigma em detrimento do humanismo. É antropomorfizar o animal e torná-lo o centro do mundo. Curiosamente, os mesmos que defendem o aborto e a eutanásia condenam a tauromaquia, numa demonstração de que, para essa gente, apenas a vida humana é sacrificável. O bom senso imperou por uma vez.

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