A Agência do Medicamento em Freixo de Espada à Cinta

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Portugal candidatou-se para receber a Agência Europeia do Medicamento. Esta decisão data de Abril de 2017 em Conselho de Ministros. Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e Modernização Administrativa, explicou então que se pretendia receber a Agência em Lisboa, na sequência do Brexit. A Agência sairia de Londres, e não de um lugarejo perdido no Yorkshire ou no Berkshire, tipo Beverley ou Barton-upon-Humber, cidades dignas e respeitáveis nas suas dimensões locais mas desconhecidas a nível europeu. Repare-se que esta agência nem sequer está em Oxford ou Cambridge, pequenas cidades universitárias mas muito prestigiadas.

Portugal acolhe neste momento a Agência Europeia da Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, sendo este último, dentro das agências europeias, um dos principais parceiros da Agência Europeia de Medicamentos.

Houve uma votação na Assembleia da República que encorajava o Governo a receber a dita agência. Este louvor foi votado a 11 de Maio.

Apenas Rui Moreira notou que a coisa estava em movimento para Lisboa, em 2 de Maio escreve uma carta em que também disponibiliza o Porto para receber a referida Agência.

No dia 19 de Maio, a Comissão Europeia publica os critérios técnicos para a relocalização da Agência, como a necessidade de escolas para mais de 600 crianças, um espaço que acolha 890 empregados e mais de 500 reuniões, capacidade hoteleira e ligação aérea às várias capitais europeias.

Segundo a Imprensa, DN, Público e Expresso, António Costa defendeu também o Porto, mas a comissão técnica que visitou Londres revelou que esta cidade não tinha dimensão nem infra-estruturas para receber uma Agência desta envergadura e que apenas Lisboa poderia oferecer um aeroporto de dimensão e com ligações a quase todas as capitais europeias.

Entretanto, os caciques locais de todas as vilas e lugarejos de Portugal vieram criticar o Governo e a Assembleia pela escolha de Lisboa, por ser centralista, por isolar ainda mais o Interior. Porque não Matosinhos ou Freixo de Espada à Cinta, povoados dignos de comparação com a mui nobre Barton-upon-Humber?

Houve deputados que vieram dizer que estavam arrependidos de ter votado o louvor ao Governo e outros que afirmaram que votaram por Portugal mas nunca por Lisboa…

Toda esta triste discussão revela um facto claríssimo, a pequenez das mentes. Em lugar de lutarem pelo único local capaz de competir pela referida agência, andam todos a digladiar-se pelas suas terreolas onde, à falta de um aeroporto em condições, se chega de automotora depois de sete horas de viagem, ou de uma ligação num alfa pendular da CP estafado e sem rede de internet apesar da publicidade enganosa da companhia, com casas de banho nojentas e imundas e comida pior do que a da sopa do Sidónio, que essa ao menos é caseira.

Por alguma razão as nações têm capitais. Por alguma razão o país Portugal é minúsculo e demora menos de um dia a atravessar em qualquer direcção, por alguma razão a cidade que receberá a agência que tutela uma indústria que vende mais de duzentos mil milhões de euros apenas na Europa deve ter alguma massa crítica e todo o país beneficiará certamente. Se Alguidares de Baixo concorrer, ninguém beneficiará, porque a Agência do Medicamento nunca virá para Portugal.

Ficamos com a típica anedota lusitana protagonizada por luminárias como Catarina Martins, Marco António Costa, Rui Rio, Paulo Rangel e outros, a defenderem todas as cidades e lugarejos menos Lisboa! Há vinte cidades europeias a concorrer. Eu sugiro Freixo de Espada à Cinta, para ser uma candidatura folclórica que, pelo menos, seja assumidíssima! Salva-se a comida e bebida em Trás-os-Montes, que é excelente e fica a léguas da triste francesinha…

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  • Jorge Almeida

    Como é que um jornal pelo qual eu tinha consideração tem um escarro destes a semear o ódio no país. Nota-se pelo pensamento tacanho e provinciano que tem o Porto atravessado nos poucos neurónios que demonstra ter. Ouve lá já pensaste que o dinheiro de toda gente é gasto nesse lixo a que tu chamas capital. Depois admiram-se que alguém deseje que o terramoto venha depressa para acabar contigo e com os da tua raça.