António Costa e o ódio aos remediados

António Costa e o ódio aos remediados

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MANUEL SILVEIRA DA CUNHA
Já escrevemos aqui sobre o ódio ao automóvel manifestado pelas vereações da Câmara Municipal de Lisboa.

Proibições de circulação, novos sentidos absurdos, estacionamento caótico, negociatas com radares, constantemente avariados, não fiscalizados e, quando em serviço, sem pessoal para emitir as respectivas coimas.

Buracos por toda a cidade sem qualquer cuidado. Toda a gente conhece as crateras e a gincana constante. Se, por acaso, um incauto ou um novato caírem nas crateras e desfizerem um par de pneus, o que é frequente, ou partirem jantes ou suspensões, o que é habitual, os serviços da Câmara não assumem qualquer responsabilidade.

Montanhas de alcatrão povoam as vias da cidade, destruindo carros e provocando acidentes sem salvarem os peões de serem atropelados.

Os transportes públicos são miseráveis. O metropolitano circula parcialmente avariado e sem todos os meios de segurança activos, nomeadamente no sistema de travões, o que é gravíssimo, a sua velocidade é cada vez menor, a sujidade em carruagens e estações é vergonhosa, as escadas e elevadores estão mais tempo parados do que a trabalhar, as estações metem água por todos os lados, como nos Olivais, e nem o Metro faz nada, nem se ouve uma palavra de protesto da Câmara.

Os autocarros são cada vez em menor número e o desordenamento é cada vez mais caótico, com automóveis em segundas e terceiras filas por todo o lado.

Os parquímetros são caríssimos e não há parques gigantes nas principais entradas da cidade para dissuadir os automobilistas de entrar com os carros.

Pais com crianças não têm outra possibilidade senão transportar os filhos como calha, porque a rede de transportes escolares é miserável.

Junta-se a este caos sem qualquer tentativa de ordenamento nem qualquer espécie de acção da edilidade chefiada por António Costa, uma última acção que penaliza os mais remediados: os detentores de automóveis com alguns anos, anteriores ao ano 2000, não poderão mais circular no centro da cidade aos dias úteis e durante as horas de trabalho, uma medida que se esperaria de uma governação liberal e desumana.

Autocarros extremamente poluentes e a cair de podres, sem quaisquer mecanismos de controlo de emissões podem, no entanto, circular; carros de altíssima cilindrada, também. Repare-se que existem automóveis anteriores a 2000 extremamente eficientes em termos de emissões ou que mudaram de motor ou cujas marcas já tinham adoptado o uso de catalisadores ou outros dispositivos de redução de emissões, como por exemplo muitas marcas japonesas, mas um Ferrari de 2000 ou um Jaguar do mesmo ano já podem circular poluindo de forma vergonhosa e destruindo o ambiente.

Este racismo contra os mais pobres é mais uma faceta da desumanidade de António Costa: se és pobre e não tens dinheiro, vais no vagão do gado; penaliza também aqueles que preferem a ecologia e é também um crime ambiental, uma vez que comprar um carro é um desastre ambiental, sendo que a pegada ecológica da construção de um carro supera largamente a manutenção de um automóvel em bom estado.

Por outro lado, favorece as máfias das construtoras automóveis e favorece os mais ricos que passam a ter as estradas apenas para os seus carros de alta cilindrada. Se queriam evitar emissões equipavam primeiro os autocarros com motores eléctricos!

Pense duas vezes antes de votar Costa nas próximas eleições. Quem governa assim será capaz de muito mais actos desumanos e insensíveis perante os mais frágeis da sociedade, afinal aqueles que têm sofrido mais nos últimos anos.

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