Lavadinhos e enxutos para combater a Uber

3
2960

Manuel Silveira da Cunha

A selvagem manifestação de taxistas contra a Uber constituiu mais uma extraordinária manobra de marketing da própria Uber. A aplicação informática da companhia atingiu o máximo valor em Portugal e subiu ao primeiro lugar das aplicações mais descarregadas e utilizadas. Quem quer ser transportado por arruaceiros, agressores, homens violentos e pouco asseados em carros de baixa gama e pouca tecnologia, sujos, com condutores malcriados e que tradicionalmente tentam enganar os clientes?

O que se passa com os táxis portugueses é um sinal dos tempos. Sempre que falamos do taxista estamos a generalizar, provavelmente haverá alguns que fogem ao estereótipo, mas são uma minoria. O táxi é o negócio que caracteriza melhor o lusitano típico. É uma actividade de “desenrascanço”, quem não sabe fazer mais nada recorre tradicionalmente ao táxi para sobreviver. Apesar da aparente dureza do trabalho, com turnos de doze horas, não necessita de estudos avançados, os taxistas não sabem línguas, os cursos, agora obrigatórios, são mais uma forma de outros típicos lusos facturarem umas massas, de preferência sem grandes exigências, isto quando os cursos são ministrados em toda a sua plenitude e não são apenas uma farsa para cumprir calendário e colocar umas assinaturas num papel.

Os taxistas limitam-se a conduzir e a tentar esmifrar uns cobres aos outros cidadãos, ou aos mealheiros carregados de notas, como são vistos os turistas. É pois uma profissão fácil, para gente sem estudos, gente que trabalha muitas horas mas pouco.

Analisemos os taxistas típicos. Vestem-se mal, uns blusões, umas roupas de feira e temos o uniforme do taxista lusitano. A exemplo do Japão, por exemplo, recomendamos que seja publicado um regulamento que ponha alguma ordem e dignidade na classe, pelo seu próprio bem. Já que eles não se sabem vestir e lavar, a nossa recomendação para o governo é que obrigue os taxistas a um uniforme mínimo, o que seria um bem para toda a classe. Camisa branca, fato escuro azul ou cinzento, gravata lisa escura da mesma cor e chapéu de motorista, luvas brancas no Inverno. Identificação obrigatória no táxi e numa placa no bolso da camisa, no Verão, ou no casaco, de Inverno.

Os automóveis aprovados para táxi são qualquer lixo de inferior qualidade, os “Dacias” e companhia deveriam ser abolidos. Deveria existir uma comissão que obrigasse os táxis a serem de determinados modelos, de forma a serem confortáveis e seguros para os utilizadores. Viaturas com mais de cinco anos estariam proibidas de circular como táxi.

A limpeza do carro e asseio do condutor deveriam ser fiscalizados regularmente; viaturas sujas ou mal cheirosas seriam apreendidas, condutores com a barba por fazer, excepto por razões médicas, seriam multados. Condutores com pouco asseio seriam castigados.

Os táxis teriam de ter uma aplicação informática que indicasse ao passageiro o percurso realizado, obrigatoriamente. A tarifa a cobrar dependeria do percurso mínimo a efectuar mais uma taxa de congestionamento em caso de o mesmo existir; seria calculada uma estimativa automática à entrada no carro: se diferisse do preço final em mais de 20 por cento, esse encargo ficaria por conta do taxista. Em percursos com diversas paragens, estas teriam de ser assinaladas como indicadas pelo passageiro. A aplicação informática serviria para o cliente identificar o serviço posteriormente e dar uma classificação ao taxista.

Os taxistas seriam obrigados a frequentar escolas de línguas e de boas práticas, apenas os aprovados em inglês e noutra língua à sua escolha poderiam ter acesso à profissão. Os clientes deveriam poder classificar o taxista e o seu ‘score’ poderia determinar que em futuras renovações de licença o mesmo fosse excluído. As licenças profissionais teriam de ser renovadas de cinco em cinco anos e exigiriam sempre provas médicas e de conduta. Só assim a classe poderia competir com a Uber e os motoristas seriam aprovados por esta. Em vez de manifestações seria mais avisado combater a Uber tomando banho diariamente, lavando os carros e comprando uns fatinhos decentes.

COMPARTILHAR
  • Ás De Espadas

    Ó manel para ti tenho 3 palavras apenas…
    És uma anedota.

  • Pedro Nuno Lopes

    Oh Manuel da Cunha, por que desculpa lá não te chamar de senhor, mas não posso, apesar de tomar banho todos os dias, falar ingles , frances, espanhol e português, conduzir um carro de gama alta, tratar com urbanismo os meus clientes, mas não posso jamais com esta conversa, e será que vocês jornalistas querem na vossa profissão quem ande a fazer reportagens sem estar credenciado!!!……pois, nós também não queremos na nossa,,ou a fazer o mesmo que nós sem estar devidamente legalizado para o efeito, se é que é só isso que se pode pedir, visto a lei ser simples, é só ter o governo que a fazer cumprir.agora, será que vocês não podem parar com essa conversa de encher e fazer ver aos portugueses em geral que tudo que é ilegal não pode funcionar neste país, ou preferem continuar a alimentar uma conversa de que este é melhor que o outro, mesmo um deles sendo legalizado e o outro ser completamente ilegal.mas, da comunicação social e, em relação às classes mais fragilizadas deste país tudo se pode esperar……e olha, podias ter arranjando uma foto mais bonita pro artigo, pelo menos uma em que aparecesses um pouco mais asseado, tipo barba arrumada, cabelo mais solto, e brilhante, parece um pouco baço, até desconfiava se te apanhasse aí na rua……podias tirar a higiene da minha viatura, credo, e passas uma má imagem em relação aos outros jornalistas, olha se o povo começa a estereotipar a vossa classe!!!

  • Fernando Lopes

    Também há Bloggers e bologeres