O produto interno bruto português em 2015 foi de 179.369,1 milhões de euros. Entre 2011 e 2015, anos de Governo de Passos Coelho, foram exportados cerca de 10.000 milhões de euros para offshores sem qualquer análise ou, aparentemente, cobrança pelo fisco. Essa dezena de milhar de milhões a dividir por cinco anos, admitindo uma saída uniforme de capitais, e a uma tributação média de 33%, corresponderia a cerca de 670 milhões de euros por ano de receita não cobrada pelo Estado em impostos. Essa receita não cobrada poderia ter reduzido em muito o défice, por duas razões: seriam capitais que não sairiam do PIB português, o que não é despiciendo, reduzindo o denominador dos cálculos; e, por outro lado, entrariam nas receitas do Estado, reduzindo por subtracção o défice ou a despesa pública.

Somar cerca de três mil e quinhentos milhões de euros às receitas do Estado em cinco anos teria tido um efeito extremamente benéfico na recuperação económica, na saída dos procedimentos por défice excessivo e teria mitigado a austeridade. Paulo Núncio, o secretário de Estado responsável pelo assunto, vem agora demitir-se de funções políticas no CDS, quando a sua responsabilidade perante o País supera largamente meras atribuições partidárias.

Seria conveniente esclarecer estas matérias com grande energia para evitar que situações semelhantes se repitam no futuro, nomeadamente para saber se a acção do governante serviu para beneficiar colaboradores directos, amigos, empregadores ou associados antigos ou actuais e, no caso de Paulo Núncio estar inocente de qualquer dolo, para limpar o seu bom nome que neste momento atravessa um momento muito negativo perante a opinião pública.

Felizmente, como diz Assunção Cristas, estas transferências, por parte do próprio Governo PSD-CDS, podem ser tributadas por doze anos, podendo ainda a vir a sê-lo até 2023, pelo menos. Foi responsável, essa norma; mas, a ser realizada pelo actual Governo, vai beneficiá-lo de sobremaneira, com a injecção possível de mais de três mil milhões de euros em impostos. Se essas verbas entrarem nos cofres do Estado, quase se cobre o défice anual actual.

O Governo anterior, por provável incompetência ou por outras razões em que não quero crer, deu assim mais um terrível tiro nos seus próprios pés e pode culpar-se a si próprio de grande inabilidade, sem necessidade nenhuma, logo numa altura em que centra a sua oposição numa questão de tricas de trocas de mensagens de telemóveis e no assunto mais ou menos irrelevante de saber se o ministro prometeu explicitamente ou não uma isenção de declaração de rendimentos, ministro que vai reduzindo o défice em números históricos e que muito se rirá se encaixar os impostos destas transferências por culpa do anterior Executivo. Simplesmente ridículo, é tempo de Passos Coelho passar a pasta a outro mais competente e mais bem acompanhado do que Paulo Núncio ou Maria Luís Albuquerque.

Curiosidade interessante

Sabe qual foi o crescimento económico em percentagem do PIB em 1962, 1972, 1975, 1982, 1992, 2002 e em 2012? Respectivamente: 10.53 (Salazar), 10.38 (Caetano), -5.10 (vários), 2.16 (Balsemão), 3.13 (Cavaco), 0,77 (Guterres e Barroso), -4.03 (Passos Coelho). Tire o Leitor as suas conclusões.

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  • NuloX15

    Depois de um ensopado de intensões malignas termina com a pérola dos alhos com bugalhos e quer que se tire conclusões? Se quiser eu explico porquê mas dá-me a sensação que você no fundo no fundo é da grande familia dos Melancia.

    • Anti xuxa

      Depois de um ensopado de acusações sem provas, termina com uma promessa que não cumpre.Eu explico porquê. Não passa de uma farsa, como todos da seu género

      • NuloX15

        Caro/a Anti xuxa tiro-lhe o chapéu pela resiliência demonstrada. Levou um mês para conseguir alinhar meia dúzia de palavras e mesmo assim não conseguiu esconder a sua incompetência em compreender o que lê e a sua vontade de ir ao osso, assim um ad hominemzito.
        Não terminei com nenhuma promessa pois “Se quiser eu explico …”, não é uma promessa e sim a disponibilização para explicar as afirmações precedentes e é anterior ao ter aventado que o “articulista” (não é para ser ofensivo) teria fortes probabilidades de ser da “nobre” familia dos Melancia.
        Provavelmente vai demorar a perceber mas acredito que embora demore vai lá chegar.
        Acho interessante, apesar de correr o risco de ser mal interpretado, essa vontade guerreira expressa pelo nick que escolheu mas digo-lhe que difícil mesmo era ler o Diabo em cima da secretária nos fins de 70s princípio dos 80s rodeado de xuxas e comunas a rosnar. Nessa altura provavelmente V. Exc.cia ainda andaria do esquerdo pró direito … Tente compreender o que escrevi e se mesmo assim não conseguir perceber ou ainda tiver dúvidas, esqueça já não vai lá …

        • Anti xuxa

          Caro NuloX15, é com satisfação que vejo o sobreuso de puxar “galões” (historia dos anos 70 e 80) e a tentativa de usar palavreado “esoterico” na sua resposta como a palavra melancia (verde por fora, vermelho por dentro) como forma de demonstrar elitismo e uma especie de pertença ao clube “eu sou dos unicos que ainda entendem o que se está a passar”. So demonstra que para lá do “bater de peito” pouco tem a acrescentar a discussão. As vezes questiono se não terá sido tal atitude elitista e fechada que não levou a esta situação de total controlo cultural, económico e politico do pais.
          O nivel de concordancia com o exposto pelo “articulista” pouco ou nada vem ao caso, o que me preocupa é que haja sempre pessoas de direita preparadas a lançar as suas lanças num jornal como o Diabo, quando lá fora uma geringonça controla o pais.
          Um pouco como se numa pequena aldeia gaulesa, Asterix e Obelix achassem mais importante se digladiar enquanto cercados pelo Imperio.
          Algo que não vejo em meios comunistas, ou esquerdistas em geral. Um grande bem haja e que os caes continuem a rosnar.

          • NuloX15

            Sem querer terminar esta troca de bolas da linha de fundo com subida à rede e “puxar dos “galões” (historia dos anos 70 e 80)” o facto é que eu existia nessa altura e não me atribuo o que quer que seja de especial, apenas que esses e outros momentos fizeram parte do meu caminho.
            Não sou privilegiado com uma relação íntima com a verdade, a tal que muitos teimam cobrir com o manto diáfano da fantasia, mas guardo para muito poucos o que fiz, para poucos o que faço e só para mim o que farei se para tanto o engenho e arte não me faltarem.
            Divirta-se

          • Anti xuxa

            “mas guardo para muito poucos o que fiz, para poucos o que faço e só para mim o que farei se para tanto o engenho e arte não me faltarem.”

            Pois tenho pena que assim seja… parece ser esse o nosso problema.