Morreu na cama, sem ter sido julgado no seu país, o tirano Fidel Castro, homem que governou com mão de ferro a ilha de Cuba desde o início dos anos sessenta. O regime continua através de seu irmão, Raul Castro, que ao contrário de Fidel sempre foi um socialista assumido.

Fidel Castro começou por ser moderado e apenas quando os Estados Unidos lhe negaram apoio para remover outro tirano, Fulgencio Batista, é que se virou para a União Soviética de forma a consolidar o seu regime. Subiu ao poder em Janeiro de 1959 com o posto de comandante supremo das forças revolucionárias, que depois incluíram o exército regular, e tornou-se primeiro-ministro em Fevereiro do mesmo ano. Governou directamente ou através do seu irmão, durante mais de 57 anos! Entre os governantes absolutos Luís XIV ganha-lhe a palma com 72 anos, no entanto Luís XIV governou apenas de facto de 1661, ano em que Mazarino faleceu, até 1715, ou seja, dois anos menos.

Fidel Castro teve muitos méritos, é um facto, um deles foi ter acabado com o regime podre, corrupto, dominado pela máfia americana, de facto o bordel e casino da Costa Leste dos Estados Unidos, de Batista. Um regime que os Estados Unidos, na sua cegueira total e na sua hipocrisia ideológica, mantiveram e apoiaram, apoiando de facto os interesses do crime organizado americano, dando-lhe uma gigantesca máquina de lavar dinheiro sujo que era a Cuba dos anos cinquenta.

Uma cegueira que perdurou ao ter retirado o reconhecimento que dera ao regime de Fidel nos primeiro dias de Janeiro de 1959. É evidente que os Estados Unidos deveriam ter removido Batista antes que Fidel chegasse a Havana e depois de consumado o facto deveriam ter chamado Fidel a si e não ter empurrado o futuro ditador para os braços dos russos.

O grande mérito foi ter posto em sentido os EUA na América Latina, contribuindo para o equilíbrio daquela região do globo e evitando uma hegemonia extremamente negativa que a exploração de recursos americana executava na região, alimentando regimes corruptos, mas obedientes, e que contribuiu para o subdesenvolvimento e criminalidade generalizada na América Latina. Fidel deu saúde e educação ao seu povo, mas também deu uma ditadura sanguinária, presos políticos, exilados, pouca liberdade económica e atraso no desenvolvimento.

Pesando alguns lados positivos, que a História julgará melhor do que nós, há questões de princípio quando se julga um homem marcante, e essas questões são cruciais. Quando se manda matar sem julgamento, quando se manda torturar em nome da revolução, cometem-se crimes imperdoáveis e esses crimes, no caso de Fidel, ficaram impunes. Como não deveriam ficar impunes as políticas americanas na zona. Note-se que Fidel deve o seu sucesso ao paradoxo do bloqueio americano.

Os EUA conseguiram fazer unir a maioria da população de Cuba em torno da política de Fidel e da sua propaganda. Nenhum regime consegue subsistir cinquenta e sete anos tendo a maioria da população contra. A política errada dos Estados Unidos no Caribe, e na América Latina em geral, deu à propaganda de Fidel, ajudada pela sua máquina repressiva, e pela censura, o inimigo exterior, o papão que tanto jeito deu ao regime cubano durante estes três quartos de século.

Hoje em dia Obama tentou quebrar o bloqueio, que não faz o menor sentido estratégico depois da queda do muro de Berlim, e que é apenas uma questão de orgulho e de teimosia americana. Seria uma das poucas acções inteligentes de Obama em política internacional, depois do descalabro do Iraque, a criação do DAESH, ou a idiotia das primaveras árabes que desestabilizaram ainda mais a região árabe fortalecendo o estado si- nistro que é a Arábia Saudita.

Esperamos que com a morte de Fidel a política americana não se inverta e não teime em dar a Raul Castro, agora com 85 anos, e seus sucessores, argumentos para manter o regime.

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  • BAAL

    Quando o vosso herói Salazar pôs a bandeira a meia haste, em sinal de pesar pela morte do Hitler, estava a lamentar a morte do herói ou do tirano ?