Neo nacionalismo

Neo nacionalismo

MANUEL SILVEIRA DA CUNHAExiste uma profunda confusão naquilo que se entendeu chamar de direita portuguesa. Dizer que o governo português actual é de direita é algo extremamente vago e pouco incisivo.

O PSD, maior partido do governo, não tem uma filiação ideológica clara, poder-se-ia designar a sua trajectória desde o 25 de Abril como “pragmatismo oportunista”, algo que é habitual nos partidos do centrão e que tornaram os aparelhos de Estado reféns das suas clientelas.

Passos Coelho, dirigente actual, mistura um discurso liberal com uma política anti-portuguesa e uma socialização dos rendimentos dos portugueses, ao mesmo tempo que adiciona proteccionismo aos interesses puramente financeiros, mesmo que estrangeiros, como se a única soberania que interessasse, indiscutível, fosse a da saúde do sistema financeiro.

Se as empresas portuguesas fogem à esfera de influência nacional, ou se deixam de contribuir para o desenvolvimento do país e da sua economia como a actual Portugal Telecom, se uma EDP é vendida aos interesses do comunismo chinês, se uma GALP pratica preços escandalosos, retirando lucros excessivos em detrimento da economia nacional e dos portugueses, está tudo bem.

Apesar de o interesse nacional estar em perigo, nada se faz, em nome de uma certa falsa liberdade de acção dos agentes económicos e da propriedade dos accionistas, mesmo que espoliados dos seus dividendos por chefes executivos que são capazes de desbaratar novecentos milhões de euros de capitais próprios em aventuras financeiras ruinosas, como no caso da Portugal Telecom, isto sem serem severamente punidos ou sem uma acção severa e exemplar da justiça, também esta reduzida a uma paralisia que reflecte a putrefacta acção política e legislativa dos últimos quarenta anos.

É urgente uma reflexão do que é o interesse nacional. Salazar, homem ponderado, de direita, conservador, nunca teria deixado acontecer com a EDP ou a Telecom o que aconteceu. Um governo que age em interesses meramente financeiros, como o actual, é apenas o agente de uma real plutocracia transnacional e não o governo de Portugal.

Existem virtudes claras no nacionalismo, na noção de Pátria, de costumes, de cultura, de História comum e de partilha que fazem de Portugal o candidato ideal ao detentor do Quinto Império visionado por D. João II e Camões, sonhado por Bandarra, anunciado pelo padre António Vieira, por Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e por António Ferro, homem de Salazar, e António Quadros.

Mas para alcançarmos o Quinto Império é necessário livrar-nos da escória, é importante repensar o nacionalismo português, é necessário governar para o bem-estar, tendo em conta a tradição, a história e a cultura, repensando conceitos. Unindo nacionalismo com democracia e fundindo modernidade com conservadorismo. Só assim poderemos potenciar a nossa identidade comum e avançar rumo ao Império do Espírito que é o Quinto Império.

Afirmar que o actual governo é de direita é uma afronta à memória de homens sérios como Sidónio Pais, o único presidente-rei de Portugal, ou Salazar, homem que, com os seus defeitos, amava profundamente Portugal e o seu povo. O governo actual é um governo anti-nacional ao serviço de potências estrangeiras que transformou Portugal num pasto das plutocracias com assento difuso e sem rosto. Uma máquina impessoal e desumana.

Infelizmente a alternativa de António Costa ainda é pior, significa mais destruição e mais serviço a interesses inconfessáveis. Só um novo pensamento, um novo nacionalismo e um novo conservadorismo de vertente humanista e tolerante, mas com muita firmeza e determinação face aos interesses estrangeiros, poderão ainda salvar Portugal da destruição.

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