O Fim do Regime

O Fim do Regime

MANUEL SILVEIRA DA CUNHAOs casos dos Vistos Dourados, a condenação em tribunal de primeira instância em diversos processos, como Duarte Lima no processo de burla ao BPN, Manuel Godinho, Vara e outros ex-governantes no caso Face Oculta, Maria de Lurdes Rodrigues num caso de favorecimento, e a prisão preventiva de José Sócrates, pelos vistos, fortemente indiciado por fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, entre muitas outras suspeições quer deste quer de muitos outros agentes políticos, que se servem da política e usam a política para benefícios privados, é um sintoma gravíssimo daquilo que Rui Rio considerou, recentemente, ser um risco de fim de regime.

Se, em muitos casos, o processo é criminal, noutros casos é perfeitamente legal. O benefício do capital em detrimento do trabalho tem a justificação, nas palavras de Passos Coelho, de que “são as empresas que geram emprego”; assim, o governo distorce a realidade fiscal e, em vez de distribuir os sacrifícios de forma equitativa, “resolve” os problemas do país sobrecarregando os rendimentos do trabalho e aliviando os lucros do capital, ou seja, utiliza o poder do Estado para beneficiar interesses privados.

Isto seria muito bonito se as empresas utilizassem os seus lucros para gerar emprego; pelo contrário, utilizam esses lucros para deslocalizar e para despedir, pagando indemnizações e podendo, assim, gerar mais lucros em mercados mais apetecíveis, como Angola, apenas para citar um exemplo, ou reinvestindo noutras paragens e noutros modelos.

Esquece o primeiro-ministro que sem mercado, sem compradores, com a economia estagnada e os trabalhadores a vegetar, visto que são a esmagadora maioria dos consumidores, as empresas nunca poderão apostar em Portugal.

Deve existir um equilíbrio salutar entre os rendimentos das diversas componentes da sociedade, de forma a existir um desenvolvimento sustentado e harmonioso. Se as empresas apenas tiverem como trabalhadores escravos infelizes, o que parece ser o sonho de Passos Coelho, estas entrarão rapidamente em colapso, pois existem escravos melhores a produzir para exportar no extremo Oriente; e escravos não produzem bens e serviços de qualidade. Não consta que Passos Coelho esteja a ser investigado por estar a destruir Portugal.

Outro sintoma do fim do regime, de falta de sentido de Estado e da dignidade e honra na Pátria que deve ter cada cidadão português e, por maioria de razão, o seu presidente da república, que oferece nos Emirados em almoço com empresários locais, cavalos, uma companhia de aviação, o único anel que ainda tem no dedo, e mulheres bonitas… Não queria acreditar na notícia e pareceu-me exageração esquerdista. Fui constatar ao vídeo da SIC e era esse o relato do jornalista, com o ar mais sério deste mundo.

A ser verdade, é caso para se dizer que quando se dá rédea solta ao cidadão Cavaco, descai o pé para o chinelo de Boliqueime. Será que o presidente Cavaco vê o país como uma espécie de clube privado, com sol e pilecas, para os senhores árabes desfrutarem da companhia das nossas mães, mulheres e filhas? Será que D. Afonso fundou este país para ter de escutar este desaforo? Se Sócrates está preso, certamente bem preso porque temos de acreditar na pouca justiça que ainda existe, esta visão indigna que o supremo magistrado da nação tem do seu país não seria motivo para imediato processo de destituição? Não consta que Cavaco esteja a ser investigado por ser indigno de ser o dirigente máximo de Portugal. Sempre fomos um país que, apesar de ser pobre, foi forte e honrado e teve a hombridade de nunca se vender por dez réis de mel coado.

O fim da linha atingiu-se com o hastear da bandeira ao contrário.

O que se passou nas Arábias é apenas juntar desonra ao insulto.

Finalmente, António Costa finge que sofreu um grande choque com a prisão de Sócrates; provavelmente, foi só a prisão que o chocou. Como se o PS não tivesse feito do aparelho de Estado seu refém, assim como todos os portugueses, com as políticas que realizou, feitas em grande medida em torno dos interesses e clientelas. Costa foi ministro de Sócrates e está metido até aos ossos na governação que levou um ex primeiro-ministro à cadeia, bem como todo o PS que foi cúmplice da mesma.

É como se o partido nacional-socialista ficasse chocado com os crimes contra a Humanidade de Adolf Hitler.

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