Otto Skorzeny, o James Bond do Terceiro Reich – III

Otto Skorzeny, o James Bond do Terceiro Reich – III

Final da Guerra

MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

Skorzeny parece que estava sempre nos locais certos na hora certa. No dia 20 de Julho de 1944 encontrava-se no comboio, com destino a Viena, quando é informado numa estação dos arredores de Berlim da revolta que se sucedeu ao atentado falhado de Stauffenberg. Este tinha tentado matar Hitler com uma bomba no seu quartel da Toca do Lobo, na Prússia Oriental. O exército de reserva, sob o comando do titubeante general Beck, e que tinha a sua sede em Berlim, preparava-se para assumir o comando do país a partir do seu quartel-general.

Skorzeny, pleno de acção e de espírito de iniciativa, e sendo um fiel seguidor de Hitler, comandou uma companhia SS e assaltou a sede do exército do interior, tomando nas suas mãos o comando central de Berlim, dando ordens para não se liquidarem vidas humanas.

Em Setembro do mesmo ano, a missão foi manter o almirante Horthy da Hungria sob vigilância; uma vez que Hitler suspeitava que este se preparava para fazer um armistício separado com os russos. Assim que este armistício foi anunciado a 16 de Outubro, Skorzeny, que tinha partido para Budapeste com alguns dos seus melhores homens, cercou o bem guardado castelo presidencial de forma discreta e avançou com uma coluna para o interior do mesmo dizendo aos guardas que a sua coluna era esperada. Mais uma vez sem disparar um tiro, entrou no castelo e sequestrou Horthy que cancelou o acordo com os russos, evitando assim que as divisões húngaras abandonassem a frente Leste. Hitler voltou a exultar, Skorzeny foi promovido a tenente-coronel.

Homem mais perigoso da Europa

Foi na batalha as Ardenas, em Dezembro de 1944, que o já mítico agente alemão ganhou a fama de “homem mais perigoso da Europa”, ao constituir uma unidade que, actuando na retaguarda dos americanos, tinha por objectivo tomar as pontes do Meuse e conservá-las.

Esta unidade estava disfarçada com uniformes americanos e utilizava armamento e equipamento capturado, os soldados falavam inglês com sotaque americano e dominavam os maneirismos da forma de ser dos GIs. Skorzeny com a sua brigada blindada disfarçada de elementos da polícia militar semeou o caos nas fileiras americanas, desviou colunas de tanques para direcções erradas, cortou fios de comunicações e destruiu sinais de estradas. Com a perda de impacto da ofensiva alemã, não conseguiu atingir as pontes e acabou por se retirar.

O maior impacto desta acção espectacular foi o facto de os americanos em confusão total terem acabado por desconfiar de tudo e todos, perguntando além das senhas habituais os nomes dos estados americanos e suas capitais ou os nomes dos jogadores de basebol. O general Omar Bradley, chefe de estado-maior aliado, acabou detido horas num posto de estrada porque não se recordava de uma senha.

O próprio comandante-chefe Eisenhower esteve fechado durante um mês e protegido por uma divisão inteira, porque se tinha espalhado o boato de que a brigada de Skorzeny se preparava para o liquidar sob disfarce americano. Se não era verdade, parecia. Mussolini e Horthy eram boas provas de que Skorzeny não brincava em serviço.

Pós guerra

Hitler, pouco antes do final da guerra, deu a Skorzeny as folhas de carvalho na cruz de ferro, promoveu-o a coronel das Waffen SS e deu-lhe longas instruções sobre o futuro. Pouco se sabe do que veio a acontecer depois na sua carreira secreta. Skorzeny foi ilibado por um tribunal americano em 1947, porque as tropas inglesas também usaram uniformes alemães e porque nunca se provou que Skorzeny e as suas tropas tenham sequer disparado um tiro ou morto alguém nas suas acções por detrás das linhas das forças aliadas.

Na iminência de as autoridades russas quererem o aventureiro para um julgamento separado, o engenheiro austríaco foi libertado sob uniforme americano pelos próprios americanos, pasme-se, e refugiou-se em Espanha onde fundou uma nova empresa de engenharia. Ainda lhe sobraria tempo para ser conselheiro de Perón da Argentina. Dizem as más-línguas que foi amante de Evita entre 1950 e 1952, data da morte da carismática Eva Perón, e que lhe teria salvo a vida num atentado.

Diz-se também, e aqui o acusador seria o caçador de nazis Simon Wiesenthal, que foi Skorzeny quem organizou as vias de escape dos nazis para a América do Sul, tendo sido o herdeiro da fortuna de Bormann, o secretário de Hitler, dinheiro que teria chegado às mãos de Perón na Argentina, passando depois para o austríaco mais de 800 milhões de dólares de então. Seria a temível ODESSA, a organização de ajuda aos antigos SS, fundada por Skorzeny? Muita gente acredita que sim…

O que é seguro é que foi Skorzeny que ajudou a montar os serviços secretos egípcios para o presidente Nasser e que, multimilionário, morreu de cancro em 1975 depois de uma vida de aventuras inesgotável. O seu livro de memórias rendeu-lhe muito dinheiro, a sua empresa era muito lucrativa e ser conselheiro de presidentes também era altamente proveitoso. Mas será que o tesouro do Terceiro Reich de Martin Bormann lhe rendeu a maior parte da fortuna?

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