Otto Skorzeny, o James Bond do Terceiro Reich – I Parte

Otto Skorzeny, o James Bond do Terceiro Reich – I Parte

MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

A personalidade de Otto Skorzeny, o comando favorito de Hitler, é ainda hoje um mistério. O coronel das Waffen SS foi um dos aventureiros mais espantosos da segunda guerra mundial, tendo sido considerado pelos aliados o “Homem mais perigoso da Europa”. Ainda hoje se discute o seu papel no pós-guerra.

É certo que Eisenhower, o comandante-chefe aliado na Europa, graças às acções deste audacioso comando, esteve escondido e protegido por uma divisão inteira sem poder sair do seu aquartelamento, e Omar Bradley passou longas horas detido pela polícia militar, que desconfiava de tudo e todos devido à acção do James Bond do Terceiro Reich.

Longe de desculpar as acções deste homem de acção, ou de tentar tornar herói alguém que foi decerto um aventureiro brilhante, propomos uma viagem no tempo e perceber como Otto Skorzeny, apesar de ser um nazi convicto, conseguiu ser absolvido por um tribunal militar no final da guerra e acabar por parecer simpático pela coragem e bravura demonstradas ao longo de vários anos de guerra, sem esquecer que a sua carreira aventurosa não acabou em 1945.

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Começo

Nascido em Viena de Áustria em 1908, o seu pai tinha uma firma de engenharia. O destino de engenheiro estava também destinado ao jovem Otto, que acabou o curso em 1931 e fundou a sua própria firma.

Na faculdade pertencia a um clube de esgrima onde aos vinte e oito anos adquiriu a famosa cicatriz que lhe valeu o nome de “Scarface” entre os americanos. Ser engenheiro hidráulico deu-lhe a capacidade de planeamento e conhecimentos técnicos para as missões que viria a realizar ao serviço de Hitler.

Skorzeny foi um jovem membro do partido nazi desde os vinte e dois anos e como tal defendia o “Anchluss”, ou integração da Áustria na Alemanha nazi. Pertenceu às SS, onde chegou a pertencer, em 1938, à Gestapo, polícia secreta das SS e de tão triste memória na Europa ocupada.

Foi nesta qualidade que evitou um banho de sangue quando evitou que os nazis mais exaltados matassem todos os que encontrassem no palácio presidencial, salvando assim a vida do teimoso presidente austríaco Miklas, que nunca assinou o decreto da anexação, nem se demitiu do cargo. Miklas acabou por morrer de morte natural mais tarde.

Com o início da guerra, em 1939, Skorzeny ofereceu-se para a Luftwaffe, mas a sua idade e estatura elevada impediram o seu ingresso como piloto na força aérea do Reich. É assim que vai para as Waffen SS, força de combate das SS (literalmente, SS armadas).

Colocado na manutenção de um regimento de tanques, os seus métodos eram muito pouco ortodoxos: chegou a roubar material de outras forças para equipar os seus veículos e usou a força das armas para obter pneus num depósito de material onde o pessoal foi mais renitente em lhe dar o material desejado. A sua posição na manutenção era-lhe penosa e requereu várias vezes passar ao serviço activo.

Baptismo de fogo

Conseguiu assim combater na Jugoslávia e na Rússia com a “Divisão Reich”, uma divisão de elite das Waffen SS, tendo sido ferido pela artilharia russa acabando por ter de ser evacuado para a Alemanha em Janeiro de 1942, onde estava destinado a passar à reserva.

Em 1943, já Skorzeny se tinha recomposto dos seus ferimentos, foi-lhe oferecido um novo posto. Conhecido como homem de acção mas ao mesmo tempo ponderado sob fogo inimigo e extremamente corajoso, foi-lhe confiada a missão de formar um grupo de comandos das Waffen SS para actuar por detrás das linhas inimigas e ao mesmo tempo comandar a nova escola de agentes especiais das Waffen SS.

Nesta fase da sua carreira, Skorzeny e o seu fiel ajudante, o capitão Karl Radl, estudaram de forma profunda tudo o que existia na época sobre treino e acção de forças especiais. Reuniram o material existente, ainda reduzido, e fizeram uma escola em que incorporaram também a sua experiência.

Tiveram ainda formação com a excelente Abwehr do almirante Canaris, que ao contrário de Skorzeny era anti-nazi e acabou por ser executado pelos SS no final da guerra.

A preparação física, a prática de desportos radicais, equitação, condução de toda a espécie de veículos terrestres, navais e aéreos, o treino com todas as armas, desde canhões até lança-granadas e tanques eram o essencial do treino militar, a par do estudo de línguas, o que veio a revelar-se mais tarde como essencial para a acção destes grupos de Skorzeny.

Na próxima edição: “O resgate de Mussolini”

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