Manuel-Silveira-da-Cunha-avManuel Silveira da Cunha

Portugal é um pequeno país, reduzido à sua expressão original depois de termos dado mundos ao Mundo. O povo português é o resultado de muitos séculos de história, de muitos cruzamentos étnicos, de muitas conquistas, emigrações e emigração, fluxos e refluxos.

Saímos em grande número, face à população global, mas sempre fomos um punhado de gente. Em números insignificantes, com Duarte Pacheco à cabeça de todos os heróis de Portugal, derrotámos o sultão de Calecute, uma centena contra noventa mil.

Fomos grandes, tivemos dois verdadeiros Chefes de Estado, o Fundador e, mais recentemente, D. João II. Tivemos também um punhado de governantes razoáveis, onde, recentemente, destacamos Passos Manuel, Fontes Pereira de Melo e Sidónio Pães. E, perdido nas brumas de Sagres, um visionário ainda vela por nós, o Infante D. Henrique.

Infelizmente, a força que fazia de Portugal forte, a coragem e o engenho, foram-se com os que partiram. Com eles foi o sangue da coragem; ficou derramado, heroicamente, por esse Mundo, algumas vezes de forma inútil que ceifou a fina flor da juventude do Reino, como em Alcácer Quibir, pela loucura de um sonho imberbe de um Rei que nunca deveria ter sido aclamado, e, depois, com a pouco contada aventura de Filipe II com a Invencível Armada, em que a marinha portuguesa ficou reduzida a nada.

Os que aqui ficaram foram os campónios, os que não tiveram coragem de partir, ou que não puderam, os Velhos do Restelo e seus descendentes. De vez em quando, depois da sangria, emergiram os genes de Portugal em poucos que, com bravura, lutaram e fizeram grandes feitos pelo país; algumas vezes tiveram o comando de estrangeiros, Wellington ou Beresford, por exemplo, porque o nosso rei foi cobarde demais para ficar e lutar. Matámos cobardemente o Rei, um crime sem castigo, e saímos à rua por Timor vestidos de branco, como palhaços ricos. E foi o fim.

Infelizmente, os nossos dirigentes mais recentes, saídos do povo, arrivistas, sem conhecerem os desígnios que motivaram a construção de Portugal e o seu desígnio teleológico, porque, afinal de contas, são tremendamente ignorantes e não estão sequer interessados no assunto, não governaram para a grandeza de Portugal e do seu povo, nunca governaram para a felicidade das gentes. O último que ainda tinha algum sentido de Estado seria Salazar, infelizmente também ele um homem limitado e tacanho, inteligentíssimo mas formatado pela dimensão rústica da Beira de então, pela pobreza endémica, admirada por ser falsamente cristã, e pela filosofia do analfabetismo que tudo permitia colocar na ordem.

Chegámos ao ponto a que chegámos, as eleições nada mudarão. Os jovens mais bem formados da última geração foram forçados a sair do país e a enriquecer outras nações, restam os descendentes do Velho do Restelo e os resquícios do analfabetismo. Apenas um ruptura total com o sistema poderia salvar Portugal… Mas feita com que gentes? E para que gentes? Os sonhos do padre Vieira, de Fernando Pessoa, de Agostinho da Silva estão a definhar sob o nevoeiro da ignorância de um António Costa e de um Pedro Passos Coelho, afogados nos interesses próprios e não nos interesses do país, afogados sob um manto sinistro de corrupção, outro das males endémicos de Portugal. Com a natalidade cada vez menor, resta esperar pelo declínio e extinção.

  • Pedro Lopes

    O pior que pode acontecer a Portugal é o fatalismo e a inevitabilidade e isso tem gerado imobilismo desde há séculos. Hoje somos um país parado e atascado nos nossos defeitos. É preciso agarrar o ramo das nossas virtudes e elevar-nos do charco onde estamos metidos. As nossas virtudes nos colocarão sempre onde é o nosso lugar natural, o da vanguarda dos países criadores. Hoje não passamos de palhaços de imitação liderados por marionetas que se movimentam por cordéis que não são nossos.