Um ódio que vem de longe

Um ódio que vem de longe

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MANUEL SILVEIRA DA CUNHANão consigo entender o ódio da Câmara de Lisboa contra o automóvel e o automobilista. O que se passa com a construção das montanhas, a que também se chamam lombas, é verdadeiramente gritante.

Está o lisboeta muito bem na sua rua, por exemplo na Av. Cidade de Luanda, ou na Av. De Pádua e em todo o bairro dos Olivais, e chega uma equipa ao serviço da Câmara. Os funcionários cortam a rua e atafulham a mesma com viaturas das obras. Isto sem qualquer aviso prévio nem sinalização. Deixam uma montanha negra, camuflada, no alcatrão, uma armadilha mortal, sem avisos de redução de velocidade, sem sinais de lomba, absolutamente nada.

Passadas umas semanas, depois de destruídas umas quantas suspensões, partidos uns “carters”, provocados diversos rebentamentos de pneus e outros acidentes, de que as pessoas já nem reclamam, como se valesse a pena reclamar junto da edilidade, resolvem colocar umas pinturas sumárias e uns triângulos provisórios mesmo em cima das referidas montanhas. Passados mais uns dias lá acabam de pintalgar as novas passadeiras, no meio de passadeiras existentes e conhecidas, algumas a menos de trinta metros, em que não fizeram absolutamente nada.

No que diz respeito às vias fulcrais de circulação, como a Av. Cidade de Luanda ou a Av. de Pádua, não foi colocado qualquer sinal de redução de velocidade. Ou seja, espera-se que o pacato cidadão circule desprevenido a cinquenta quilómetros por hora, que parece ser ainda o limite de velocidade em Lisboa por força do Código da Estrada, e espatife o carro na novel passadeira, pois todo o carro normal que passa a mais de dez tem incluído bilhete para o sucateiro.

É uma solução económica que destrói automóveis e mata peões aliviando a segurança social. Segundo estatísticas europeias, é uma solução que provoca mais acidentes do que as vulgares passadeiras sem semáforo e muitíssimos mais acidentes do que as passadeiras com semáforos. É a batalha do senso comum contra a estatística e, na câmara municipal de Lisboa presidida pelo inefável “Gandhi” lisboeta, o mesmíssimo António Costa que será o próximo primeiro-ministro de Portugal, vence o senso comum, o que aliás é a tónica dominante da governação portuguesa.

drive-44330Seria ilógico se o raciocínio prevalecente não fosse mesmo o da destruição e sanha contra o automóvel. Proibindo o tráfego no centro da cidade aos mais pobres. Inventando sentidos de trânsito inenarráveis, como na Av. Da Liberdade e nos Olivais, cortando a circulação na Baixa, transformando a vida dos habitantes e comerciantes nessa Baixa num inferno, isolando a parte ocidental da oriental, no que diz respeito ao tráfego automóvel, ignorando os radares, deixando-os ao abandono sem manutenção nas ruas e vias mais movimentadas e perigosas, parece que o sentido da municipalidade é a perseguição ao automóvel e ao condutor.

Se morrerem na segunda circular, devido ao facto de andarem loucos a cento e cinquenta a provocar acidentes sem controlo do radar, tudo bem; se os peões morrerem nas passadeiras, apesar das montanhas de alcatrão lá colocadas em cima, sabendo-se que passadeiras com semáforos são muito mais seguras, não há problema; “carters” partidos, pneus rebentados, suspensões desfeitas, consumos exacerbados de combustível devido aos congestionamentos constantes nas parcas vias disponíveis?

É tudo aceitável, se não mesmo desejável.

Punir os responsáveis pelas montanhas de alcatrão camufladas que destroem carros atrás de carros? Nem pensar. Fica aqui a analogia: alguém pensaria em punir, no terceiro Reich, os membros das SS que matavam os judeus?

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