foto_Brandão FerreiraBRANDÃO FERREIRA 

Escudado no facto de Mouzinho de Albuquerque jazer em modesta e maltratada sepultura, aos Prazeres, vai para 114 anos, Francisco Louça arrogou-se o despautério de lhe ir às canelas, sem qualquer fundamento.

O novel Presidente da República, na cerimónia de tomada de posse, referiu no seu discurso que “Portugal é obra de soldados”, aludindo ao grande militar e administrador ultramarino que foi a figura ímpar de Mouzinho de Albuquerque, autor da frase.

Esta frase não deixou de incluir – estamos em crer – algumas subtilezas de estilo, tendo em conta a presença do Presidente de Moçambique (que, supostamente, “representava” todos os países de língua oficial portuguesa), país que muito deve à acção daquele excelso oficial, mas cujo Estado não perdeu tempo a retirar todas as marcas da sua acção e presença em “terras do Índico”, nomeadamente a sua estátua na antiga capital, Lourenço Marques.

No programa “Tabu”, da SIC-Notícias, do pretérito dia 11 de Março, o inefável Dr. Francisco Trotsky Louçã, fez jus à sua apetência de controleiro ideológico dos costumes e comissário político da “verdade”, à moda de Estaline – que não descansou enquanto não eliminou o seu rival e “alter ego” bloquista, às mãos da “Tcheka”, mesmo depois de aquele ter procurado refúgio nas quenturas do México.

Louçã, escudado no facto de Mouzinho, homenageado por reis e imperadores, pela sua bravura, intrepidez e valor militar, jazer em modesta e maltratada sepultura, aos Prazeres, vai para 114 anos, arrogou-se o despautério de lhe ir às canelas, sem qualquer fundamento.

Observem esta “pérola digna do mais acabado asno”, retirada da citada entrevista: “A citação sobre Mouzinho de Albuquerque, o homem que capturou Gungunhana, um bandeirante, que foi protagonista de uma das epopeias mais cruéis em África, e que veio dizer que Portugal era um país de soldados. Portugal não é um país de soldados! Teve as suas guerras, mas é um país que foi feito ao longo da História… O pilar de Portugal não são evidentemente os soldados, muito menos a saga colonial para capturar o Gungunhana. Coisa de que Mouzinho de Albuquerque, aliás, se sentia tão mal que anos depois ele se suicidou, se desgostou com a evolução da História. Portanto, todas as estas identificações são de uma cultura muito… uma espécie de cultura antropológica como se Portugal se projectasse para um mundo virtual quando na verdade o problema do país é a enorme dificuldade da sua identidade nacional na sua vida concreta. Portanto, falar de heróis é uma forma de não olharmos para os nossos problemas”. Gostaram?

Louça sabia que com isto não corria o risco de com ele se cruzar no Chiado e receber o respectivo correctivo, em chibatadas.

Eu vou ficar pela esgrima das palavras e atirar ao agora “vátua berloqueiro”, que Mouzinho não era um “bandeirante” mas um destemido e competente oficial de cavalaria, escolhido, como outros, pelas suas qualidades, pelo Comissário Régio António Ennes, para participar numa campanha militar que se adivinhava difícil, tendo em 1896/7 ocupado o cargo de Governador; que dizer que Mouzinho foi protagonista de “uma das epopeias mais cruéis em África” é uma despudorada mentira; e ter afirmado que “Portugal não é um país de soldados” só demonstra a sua ignorância, quiçá demência.

“Portugal teve as suas guerras”… Kamarada Louçã, vá-se coçar. Portugal esteve quase sempre em guerra desde que nasceu, ao ponto de a História Militar quase se poder confundir com a História de Portugal.

Insinuar que Mouzinho se suicidou por estar arrependido por ter capturado o Gungunhana (que aliás foi poupado e enviado com os seus familiares para um exílio dourado nos Açores), transforma o economista Louçã num cómico com o mesmo nome.

As considerações que faz sobre a evocação dos heróis e a projecção para realidades virtuais, entra no domínio do delírio e da esquizofrenia, o que mesmo uma ideologia vesga não justifica.

Olhe, trate-se e estude qualquer coisinha. E não calunie a História de Portugal e os seus mais valorosos protagonistas.

E se não gosta da terra onde nasceu, tem bom remédio: vá para longe que não faz cá falta nenhuma.

A memória e a verdade dos faustos ilustres da nossa História e seus protagonistas, não podem continuar a ficar à mercê de mentiras vis, insinuações torpes, de serventuários de ideias inquinadas e de filhos das trevas.

Ao contrário do que muitos defendem, nem todas as ideias ou opiniões são respeitáveis.

Ao galope… À carga!

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  • Antonio Santos

    Os grandes homens ñ fazem questão da modéstia das suas sepulturas!