Slogans de campanha

Slogans de campanha

0 1024
JOSÉ SERRÃO

Com o discurso do Pontal, Passos Coelho deu o tiro de partida para as eleições legislativas do próximo ano. Começou, diria “oficialmente”, a corrida ao poder, bem ciente de que o PS com as suas Primárias já há muito que está em campanha eleitoral.

O estranho em tudo isto é que nenhum se assume como candidato por ser o mais bem preparado, o que apresenta melhores ideias – uma Ideia para Portugal já seria bom – mas o que está em melhor posição para conquistar o Poder (ou mantê-lo).

A nossa política sofre, desde há muito, da síndrome “Fernando Mamede”. Mamede foi um brilhante atleta do Sporting, detentor de três records europeus e do record mundial dos 10.000 metros. Um atleta de eleição que vencia provas atrás de provas mas que fracassava sempre nas finais dos Jogos Olímpicos ou nas finais dos Mundiais de atletismo. Porquê? Diziam os entendidos que ele se concentrava em chegar às finais e não em conquistá-las. O seu enfoque era chegar e não vencer. Enfim… muitas discussões científicas à volta de Mamede que, mais do que todos, sofreu com este seu drama.

Trago Fernando Mamede à colação porque os candidatos a Primeiro-Ministro me parecem tão só focados na conquista do Poder e não em governar. Criam as ilusões necessárias para que os votos os compensem e os sentem em São Bento, e não olham a meios…

Costa diz este fim-de-semana que com ele “não haverá cortes nas pensões mas sim criação de empregos” (?!!).

Seguro assegura decretar o fim da austeridade (???).

Coelho assume-se o paladino da luta contra a corrupção e a promiscuidade entre a política e os negócios (?!!).

Eis alguns dos slogans de Campanha, sem qualquer destrinça ideológica, que soam bem ao ouvido de qualquer um, que são apelativos e que dão um sentimento de esperança que contrasta com esta dura e sórdida vida com que os últimos tempos nos presentearam. Quem pode estar contra qualquer um dos nossos zelosos e empenhados Líderes? Quem?

Mas se eles são os nossos Mamedes da política, o que é ainda mais curioso é que o povo militante, supostamente mais esclarecido, alimente esta “doença” que mina toda a nossa democracia e afecta a nossa vida colectiva.

Num dos blogs de um militante socialista, muito conhecido, debatiam-se as supostas qualidades de Costa e de Seguro e as vantagens e desvantagens de um e de outro. No final de brilhantes discussões, vazias de conteúdo e até de nexo, concluía-se que o melhor candidato é o que está em melhores condições de derrotar este Governo!!!

No PS, como acontece nos outros partidos, a questão não é o que é melhor para o País, não é o que deve ou não deve ser feito para melhorar a vida dos portugueses e inverter este ciclo de empobrecimento e asfixia de recursos… mas tão somente quem pode ganhar o Poder. Quem pode ser o Poder… Nem tão pouco se discute o que fará com o Poder. Ganhar o Poder é chegar à final dos Jogos Olímpicos… O resto que importa? A vida de cada um de nós o que importa? Quem se interessa?

A diferença, caros leitores, é que Mamede foi Grande, foi Campeão e Recordista do Mundo… Estes senhores… bem… todos sabemos o que são. Merecemos melhor. Queremos melhor. Queremos quem se importe connosco.

ARTIGOS SIMILARES