VITÓRIO ROSÁRIO CARDOSO – Conselheiro Nacional do PSD 

A autópsia ao Partido Socialista, de 42 anos e em contínua decomposição, é algo que tem de ser feito com muita coragem.

Quando estamos a viver fora das quatro linhas rectangulares do Portugal continental europeu, tendemos a ter uma abordagem diferente do que está a suceder ao País e partimos de prismas com menos ruído de dia-a-dia, com maior objectividade e capacidade de interligação a vários assuntos e acontecimentos que sabemos que vão condicionando os desenvolvimentos políticos em Portugal.

O Partido Socialista há mais de 40 anos tem vindo a saber muito bem aproveitar Macau e os seus recursos, ora para formar os seus quadros políticos, ora para financiamento partidário, a ler a obra de Rui Mateus, “Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido”.

O semanário “Expresso” trouxe-nos uma verdade há muito anunciada, a de um Partido Socialista falido, tão falido como a governação socialista deixou a República Portuguesa.

Estranho até hoje ninguém contar um dos episódios mais feios decorridos na história do relacionamento luso-chinês, onde fez figura o actual recluso número 44 de Évora.

Estávamos em Setembro de 2010, Teixeira dos Santos chegara a Macau, pronto para seguir para Pequim para tratar da venda de parte da dívida portuguesa, e tudo, ao que se conta pelas pessoas envolvidas no processo, foi resultado da ameaça de José Sócrates à República Popular da China que se Pequim não comprasse a dívida portuguesa, então como Primeiro-Ministro não participaria na 3.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau).

Os anos Sócrates conferiram a Portugal uma imagem internacional vulgar e desprovida de dignidade, não estando de todo à altura dos nossos cinco séculos de relacionamento, amizade e de cooperação com a China, e marcada por uma profunda falta de sentido de Estado da parte portuguesa, mas por outro lado, temos a sorte da China entender alguns dos nossos momentos de estados de alma menos felizes. E estes episódios trágicos que nos envergonham a todos foram os momentos causados pelo “Menino de ouro do PS”, título de mais uma publicação que alguém saberá por quem foi paga?

Regressando às origens do problema, temos de questionar se os principais quadros do Partido Socialista que passaram por Macau trouxeram consigo para Portugal a experiência de governação baseada num modelo de desenvolvimento onde a maioria das receitas do Estado são provenientes do jogo, onde facilmente se gera um constante superavit no orçamento do governo e nunca há problemas de opção pelo investimento público.

Justamente, Portugal não é Macau. Ora, se a economia portuguesa não é de todo sustentada pela indústria do jogo, mas sim por pequenas e médias empresas que constituem a maioria do tecido empresarial português, e não são os casinos que pagam a fatia de leão dos impostos mas sim a classe média que aguenta com estoicismo a carga fiscal neste ambiente de emergência nacional, só podemos crer que a experiência socialista de governar Macau serviu para os socialistas se governarem, ou então que nos provem o contrário.

Até parece que os socialistas aplicaram a mesma receita macaense para os sucessivos governos de Portugal e que continuam a sonhar a dar continuidade à aplicação desta receita nos futuros governos de Portugal, a de gastar e de gastar e atirar com as dívidas para as futuras gerações. De nada valeu aos socialistas formarem os quadros em Macau se esta é a tal experiência que ganharam, a de que tudo se faz porque há sempre dinheiro, há uma fonte inesgotável de receitas do jogo que não param de jorrar, que há sempre alguém que pague e não peça contas, nem fale mais no assunto.

Podemos crer que os socialistas que fizeram escola em Macau e que estão hoje com António Costa, uma espécie de “Socratismo parte II”, e que vieram para Lisboa aplicar aquilo que aprenderam, caíram em dois erros capitais, primeiro porque pararam no tempo, e segundo, enganaram-se na geografia. Já não vivem os loucos anos 70, 80 e 90 do século passado e em Macau.

A economia portuguesa não tem os milhões diários das receitas do jogo, o desenvolvimento económico de Portugal é fruto de muito trabalho, suor e lágrimas das famílias portuguesas em Portugal e no exterior e por este motivo, as famílias portuguesas em Portugal como nas Comunidades Portuguesas, devem saber castigar este Partido Socialista que nos trouxe três bancarrotas, obrigando-nos a sacrifícios heróicos para superar a crise.

Para as próximas décadas, esta criminosa irresponsabilidade política do Partido Socialista tem de ser banida pelo voto popular.

Caso para se dizer: “Portugal Sempre! Socratismo nunca mais!

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