As casas onde Salazar viveu

As casas onde Salazar viveu

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FERNANDO DE CASTRO BRANDÃO

Embaixador de carreira jubilado

Sem atentar à definição genericamente aceite no campo literário para ‘petite histoire’, utilizamos o conceito no sentido do detalhe, pormenor, enfim, minudências. O tema que se aborda possui, obviamente, um valor historiográfico restrito. Não obstante, constitui elemento não despiciendo para a análise de uma vida, reflexo de uma época. No caso a de António de Oliveira Salazar.

Foram diversas as casas por ele habitadas. À excepção de uma, todas as demais não lhe pertenciam e eram arrendadas, salvo a residência oficial, a que tinha direito, como Presidente do Conselho de Ministros.

Enquanto estudante na Universidade de Coimbra há notícias vagas dos locais onde residiu. Mas tão-só já como professor da Faculdade de Direito lhe conhecemos morada certa.

Juntamente com o seu amigo, catedrático da Faculdade de Letras Manuel Gonçalves Cerejeira, futuro Patriarca de Lisboa, alugou por volta de 1915 uma parte do antigo convento dos Grilos, sito na rua do mesmo nome, com o número 1.

Ali se manteve 13 anos até que, fazendo parte do Governo em 1928 como Ministro das Finanças, se transfere definitivamente para a capital. Curiosamente não largará a habitação coimbrã de imediato. Vai conservá-la até Dezembro de 1929, como se atesta pelo recibo passado por Maria do Carmo Forjaz de Gusmão, presumivelmente proprietária do edifício e datado de Outubro daquele ano, no valor de 1.350$00 (mil trezentos e cinquenta escudos), correspondente à renda trimestral até ao final do ano.

Nada sabemos sobre a combinação entre os dois amigos quanto ao pagamento do aluguer. Mas tudo leva a crer que o montante seria naturalmente dividido entre ambos. E, assim sendo, Oliveira Salazar pagaria mensalmente 225 escudos.

Ao longo dos anos da sua docência universitária o jovem professor deslocava-se, com alguma frequência ao Vimieiro, Santa Comba Dão, para visitar a família. No início ficava na casa onde nascera. Porém, a partir de 1920, por uma carta de 16 de Maio dirigida à pianista amadora Glória Castanheira, residente em Coimbra, fica a saber-se que, por esta altura andava “concertando uma casita de meus pais… para receber os meus amigos pois que a de meus pais não chega…”

Tendemos a acreditar que se trata da casa que, depois de certos arranjos, ficará sendo sua e onde estanciará no período das vindimas por varias décadas.

Seguramente, embora pouco ou nada alterando da estrutura, esta habitação própria veio a beneficiar de sucessivas melhorias. Pela documentação do Arquivo Salazar na Torre do Tombo sabe-se de obras de conservação empreendidas entre Julho e Outubro de 1939. Já na posse plena da propriedade desde 1932, ano da morte do patriarca António d’ Oliveira e, por certo, mais folgado financeiramente, o Chefe do Governo manda efectuar trabalhos de beneficiação de algum vulto.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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