Combatentes: “Homens simples capazes de feitos extraordinários”

Combatentes: “Homens simples capazes de feitos extraordinários”

1 2699

ODIABO600x200

HUMBERTO NUNO DE OLIVEIRA

Assim classificou o Presidente da República, no passado dia 9 de Outubro, no Centro de Tropas Comandos (Carregueira), os nossos heróis da Guerra de África, no decurso da cerimónia em que condecorou com a mais alta distinção do País, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, o Coronel Tirocinado de Infantaria “Comando” Raúl Miguel Socorro Folques.

Pelos seus heróicos feitos em campanha, o Coronel Folques, já condecorado à altura do 25 de Abril com três Cruzes de Guerra (duas pelos seus feitos em Angola e uma pelos cometidos na Guiné), encontrava-se proposto, quando do golpe, para a Medalha do Valor Militar, com palma (a mais alta distinção de entre as “Medalhas Militares”), e para a Ordem Militar da Torre e Espada, com palma, que permaneceram na gaveta, incompatíveis com os novos ventos revolucionários de celebração dos que nos haviam combatido e sempre detractores dos que galhardamente haviam cumprido e não traído.

Tratou-se de um acto simbólico da mais elevada relevância (que poucos voltaremos a testemunhar), em que aquele militar de eleição foi condecorado como Oficial daquela Ordem, com palma, pelo Presidente da República – Comandante Supremo das Forças Armadas –, palma devida aos feitos heróicos em campanha e em grau semelhante ao que os seus camaradas que já a haviam recebido por idênticos feitos (houve outras Ordens da Torre e Espada aumentadas no grau por motivações políticas). Esta foi uma condecoração que tardou 40 anos, mas sobre a qual o condecorado, verdadeiramente, nunca perdeu a fé. Com esta condecoração o País acerta contas com os heróis da Guerra de África, dignificando-se e assumindo-a como um marco fundamental da nossa História recente.

P1080591

No seu sucinto mas bem conseguido discurso, o Presidente da República (ele próprio miliciano em Moçambique) relembrou o muito que o País deve aos antigos combatentes, lembrando que “ao longo da nossa História muitos foram os exemplos de dedicação, altruísmo e coragem de militares que, no cumprimento do dever sublimaram as suas capacidades ao serviço de Portugal. Foram heróis que connosco partilharam a qualidade das suas vidas, afinal homens simples capazes de feitos extraordinários”.

Relativamente ao homenageado, lembrou as “quatro comissões que cumpriu, três em Angola e uma na Guiné, [onde] demonstrou ser um soldado de excepção, exemplo maior de coragem, sangue frio e serena energia debaixo de fogo. Um líder que todos estimavam e admiravam”, acrescentando que “o Coronel Folques é um homem de bem, de carácter impoluto e altamente prestigiado entre os seus pares. Serviu Portugal com distinção, total desprendimento e a simplicidade dos grandes”. A mais cimeira condecoração de Portugal serviu assim para prestar “reconhecimento a um oficial de excepcional craveira, cujo exemplo deverá constituir fonte de inspiração para as gerações futuras”. Lembrou que “a Pátria em que nos revemos, foi e será sempre determinada pelo querer, pela dedicação e pela coragem dos portugueses”, manifestando: “como Presidente da República associo-me com todo o gosto a esta homenagem a quem, como o Coronel Raúl Miguel Socorro Folques pautou a sua vida pelo culto da Pátria, da Honra e do Dever.”

P1080345

Três notas negativas a terminar: a desatenção do ajudante do Presidente que levou a que o colar da Ordem fosse imposto pelo reverso e não o devido anverso, o protesto face a esta condecoração por um elemento da Associação 25 de Abril (que cremos o terá feito a nível pessoal, ou pelo menos de modo informal), mas as atitudes, e sua leitura, ficam com quem as pratica, e o silenciamento manifestado pela quase generalidade da comunicação social face ao simbolismo deste acto, particularmente notório, quando na véspera desta condecoração, a condecoração de Simone de Oliveira (aliás inteiramente merecida mas com uma Ordem que em importância nada tem a ver com esta) havia ocupado tanto espaço e tempo de antena. A comunicação social, tiranizada pelas audiências, vive da aparência e não da essência, é pena, pois afasta-se progressivamente de uma função que também é sua: educar!

 

  • Lusitan

    Se a um assaltante, ladrão e cúmplice de um assassinato, chamado Camilo Mortágua, é atribuída a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Liberdade, a este extraordinário militar já deveriam ter sido atribuídas todas as condecorações militares existentes.
    Parabéns meu Coronel.