VASCO CALLIXTO

Se há 50 anos tivesse sido prestada uma justa homenagem a quem idealizou – em 1876 –  a primeira ligação rodo-ferroviária entre as duas margens do Tejo em Lisboa, do Beato para o Montijo, será de admitir que a então chamada “Ponte Salazar” não tivesse mudado de nome, volvidos apenas oito anos.

O Engº Miguel Pais, um conceituado técnico do século XIX que sonhava modernizar Lisboa, merecia que a “sua” obra, concretizada no século XX,  recebesse o seu nome. E por  certo não teria sido vítima dos ventos políticos. Não o entenderam, porém, os governantes da época. Ou nem se lembraram dele. Miguel Pais mereceu somente uma modesta presença na toponímia da capital. E outra das suas sonhadas obras, um viaduto da Graça à Estrela, não chegou a ser realidade. A única obra de Miguel Pais que “venceu”, foi a estação ferroviária do Barreiro.

Não sei bem porquê, e acho muito estranho, não fui à inauguração da agora cinquentenária Ponte sobre o Tejo; foi meu filho mais velho, então com 19 anos de idade. Estava em Santa Cruz e não vim a Lisboa no dia 6 de Agosto de 1966. Mas quanto escrevi sobre a nova ponte!

Sem ter internet à disposição, as buscas e as consultas sucederam-se, os antecedentes da notável obra dos anos sessenta revelaram-se-me e às fotografias em diversas fases da construção, juntaram-se  as reportagens e as entrevistas. Ainda não há muito tempo, contactei com um destacado técnico do empreendimento, então entrevistado. Estávamos ambos de cabelos brancos, congratulando-nos por poder admirar a obra, meio século volvido.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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