RAÚL BRAGA PIRES

Centro de Investigação Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar/CINAMIL

Um conjunto de ONGs está a ajudar a sociedade guineense a pôr fim a práticas sociais nefastas, algumas bem enraizadas nas tradições étnicas. A luta contra a mutilação genital feminina é um sucesso.

A Rede Djinopi (“Djintis Nô Pintcha”, expressão crioula que significa “Povo, vamos em frente”) é uma entidade federadora de várias ONGs, que lutam neste país lusófono contra as chamadas práticas nefastas. Para quem não sabe, o fanado, como também é popularmente designado, é uma prática popular, “cultural” até, que consiste no corte e remoção do clítoris de meninas, logo após atingirem a idade da puberdade.

Geralmente associada às comunidades islâmicas de vários países, da África Ocidental ao Egipto, as autoridades religiosas dos mesmos esforçam-se por eliminá-la por completo, negando assim que se trata de um qualquer preceito islâmico. Na verdade, tudo leva a crer que se trate de uma prática pré-islâmica e que tudo terá a ver com a partida dos homens da tribo em busca de caça, ausentando-se por longos períodos de tempo. Para garantirem que às respectivas mulheres não lhes viessem “os calores” enquanto estavam longe, a solução mais prática e viável encontrada, foi o de cortar literalmente o mal pela raiz! Outras explicações há, mas esta parece-me ser a mais razoável de todas.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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