E tudo o Verão levou

E tudo o Verão levou

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Prometem muita música, “eventos” a condizer, diversão e convívio desinibido. Por tudo isto, os festivais de Verão têm vindo a crescer em número e em dimensão – e são hoje um negócio de milhões de euros. Muitos jovens gastam neles tudo o que pouparam num ano. E não se queixam.


São estimativas e valem o que valem. Mas um ‘passe’ para um festival de Verão, com uma duração média de entre três e seis dias, ronda os 100 euros. A alimentação (comprada no local ou levada de casa) ronda os 50 euros, a que acrescem as bebidas – normalmente cerveja – que ficam, feitas as contas, por 30 euros no fim do festival. É sempre a somar: à factura acrescente-se ainda o transporte (entre 20 a 80 euros, dependendo da localização do festival) e os gastos-extra como aluguer de uma tenda ou uma roupa comemorativa do momento (20 euros). Contas feitas: mais de 200 euros é quanto um jovem português gasta, em média, por cada festival de Verão em que participa. E há quem não se contente só com um…

São alunos do secundário e estudantes universitários, na sua maioria. Poupam ao longo do ano para conseguirem dispor de uma semana sem olhar a gastos. Outros há que trabalham algumas semanas em bares ou restaurantes, ou até em negócios de família, para amealharem o suficiente. Vão eles e os amigos. Grupos de rapazes e raparigas que fazem também mover milhares de euros para os comboios ou para a rede de autocarros expresso.

A oferta é enorme em Portugal: Sumol Summer Fest, Rock In Rio, Super Bock Super Rock, Optimus Alive, Meo Sudoeste, Andanças – são apenas alguns exemplos. De fora ficam ainda as feiras, festas e romarias que decorrem por esse País fora e que atraem igualmente grandes multidões.

Organizam-se para aproveitar as férias em conjunto. As poupanças são para “estourar”, os mais sortudos têm os bilhetes oferecidos pelos pais como prémio por terem passado de ano, ou simplesmente porque sim.

Estrangeiros invadem

Ainda assim, não são só os jovens portugueses a demandar estes festivais à beira-mar plantados. O Boom, em Idanha, é o exemplo diso mesmo. Este “é um festival que está a atingir ou que já atingiu, em 2012, o patamar de um festival de escala mundial e global”, defende a organização do evento, acreditando que a edição deste ano foi “a melhor de sempre”.

A organização do Boom Festival, que decorreu em Idanha-a-Nova, assegura que mais de 90% dos participantes são estrangeiros e que a venda de bilhetes estava esgotada antes do arranque. “Desde o dia 15 de Julho parámos a venda de bilhetes. A lotação para os 30 mil ‘boomers’ ficou esgotada”, assegura a organização, em declarações à agência Lusa.

O festival terminou esta segunda-feira e contou com a presença de pessoas oriundas de 152 países, afirma Alfredo Vasconcelos, adiantando que este dado foi confirmado “não só pelas vendas electrónicas, mas também pelo sistema Unicre”, através do qual é possível detectar a origem de quem compra bilhetes. Quanto à origem dos participantes, os franceses ocupam o primeiro lugar, seguindo-se, por ordem decrescente, alemães, ingleses e portugueses.

De realçar, por outro lado, a importância e o impacto que o festival tem, cada vez mais, numa região tão desfavorecida como a raia do distrito de Castelo Branco. “Tal como tem acontecido noutros sítios do mundo”, como em Montreaux, por exemplo, “este festival pode ser uma âncora da região”, sustenta Alfredo Vasconcelos.

“Penso que o Boom Festival está nesse caminho”. Idanha-a-Velha, a antiga cidade romana da Egitânia, a poucos quilómetros de Idanha-a-Nova, teve, por certo, “mais visitantes em três ou quatro dias [de festival] do que durante um ano inteiro”, atira Alfredo Vasconcelos, considerando que isso é muito significativo – “o impacto económico também é muito importante”.

De acordo com dados anunciados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística, citados por Alfredo Vasconcelos, cada estrangeiro de visita a Portugal gasta, em média, 100 euros por dia.

Festa de milhões

Cada festival de Verão poderá ter um “retorno mediático” de 18 milhões de euros no ano de 2014. A cifra – que não integra a dimensão publicitária – corresponde ao valor comercial que teria de ser despendido se todas as notícias, reportagens e referências sobre o evento tivessem de ser pagas.

“Quanto maior a dimensão do festival, maior o retorno mediático envolvido”, disse ao jornal “Negócios” Uriel Oliveira, director de operações da Cision, empresa dedicada à monitorização de órgãos de comunicação social em Portugal. Desde o início de 2014 que a empresa está a acompanhar a cobertura mediática que é feita pela comunicação social portuguesa aos festivais de Verão. Entre Janeiro e Julho, e no universo de nove festivais analisados, foram produzidas 15.745 notícias e dedicadas mais de 67 horas de emissão televisiva aos festivais.

O Rock in Rio Lisboa liderou o ‘top’ como festival mais mediático durante os primeiros cinco meses do ano, tendo sido apenas destronado em Junho pelo Nos Primavera Sound – realizado nesse mesmo mês.

Apesar de reconhecer “que a força de comunicação do Optimus Alive está muito grande”, Uriel Oliveira acredita que vai ser difícil ultrapassar o Rock in Rio. O festival realizado em Maio no Parque da Belavista, em Lisboa, registou 6.801 notícias e cerca de 48 horas em televisão desde o início do ano, sendo o líder neste indicador.

Devido à continuidade nas acções de divulgação e comunicação deste género de eventos, cada festival aparece numa média de 400 a 800 notícias nos meses que antecedem o seu arranque, podendo atingir picos noticiosos quando são divulgados os nomes dos cabeças de cartaz.

Quando se analisa a cobertura mediática no mês de realização do evento, esse número pode escalar para um intervalo entre 2.000 e 3.000 notícias por festival.

E esta é mais uma.

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