MIGUEL MATTOS CHAVES 

Vários autores e estudiosos do fenómeno do Poder, e da comunicação com o Público, têm-se debruçado sobre as formas de o primeiro dominar a grande massa dos cidadãos, com a ajuda consciente ou inconsciente dos Media. Divulgamos hoje o resumo de um estudo de um conhecido Professor de Línguística norte-americano, Noam Chomsky, o qual desenvolveu uma lista das “10 estratégias de manipulação” dos princípios sociais e económicos de forma a atrair o apoio inconsciente dos meios de comunicação para a manipulação dos cidadãos, a que juntámos alguns exemplos práticos da aplicação, ao caso português, de cada estratégia enunciada pelo autor.

1. A Estratégia da Distração

O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação com contínuas distrações ou com informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

“Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, atraída por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, “ é o princípio seguido.

A este enunciado acrescento apenas um exemplo: os acontecimentos desportivos, quando superlativizados, como o são frequentemente, servem bem esta estratégia. A técnica de divulgar acontecimentos menores para distrair a atenção dos assuntos mais importantes, mas incómodos para o poder político, é bem conhecida e bastamente utilizada.

2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reacção-solução“. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar uma certa reacção do público, a fim de que este seja quem passa a pedir as medidas que se desejam implementar e se tornem aceites pelos destinatários.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público exija leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso de direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

A este enunciado acrescento apenas um comentário:

– Os casos da actual situação na União Europeia ou no Brasil não são mera coincidência. Também os crescentes meios de vigilância electrónica e cibernética sobre os cidadãos estão claramente em consonância com este capítulo. Nunca, como agora, o cidadão foi tão vigiado pelo Estado e seus agentes, nem nunca o Estado soube tanto sobre cada um de nós, como nos nossos dias. Tudo isto com a nossa “autorização” inconsciente, mas provocada pelo Poder Político, com a cumplicidade de certos “jornalistas”.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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