Um seminário católico, no centro do Porto, deu guarida ao “plenário de Primavera” do Partido da Esquerda Europeia, uma coligação radical e extremista representada em Portugal pelo Bloco de Esquerda e na Grécia pelo Syrisa. Esquecida de tudo o que a afasta dos defensores da “adopção gay”, do aborto, da eutanásia e de outras agressões à Vida e à Família, a hierarquia católica nem pestanejou quando se tratou de alugar o espaço do Seminário de Vilar aos “gurus” esquerdistas que ali foram defender as mais heréticas doutrinas condenadas pela Santa Madre Igreja.

O crucifixo e a foice e o martelo partilharam o mesmo espaço durante o “plenário de Primavera” da Comissão Executiva do Partido da Esquerda Europeia. Esta organização conta entre os seus membros mais célebres o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista de Espanha, o Partido Comunista Francês, o partido “A Esquerda” da Alemanha (efectivo sucessor directo do antigo partido único da RDA) e o Syriza grego.

O Syriza é o único integrante do Partido da Esquerda Europeia a ocupar directa e efectivamente o poder, embora em coligação com a direita, pormenor que a esquerda geralmente tenta minimizar, ou ocultar completamente. Não é, contudo, essa coligação que o impede de partilhar com os camaradas europeus as grandes “causas fracturantes”. E é aqui, na agenda extremista e anti-católica dos radicais europeus de esquerda, que o crucifixo e a foice e o martelo chocam de frente.

Este partido europeu, ao qual o Seminário de Vilar deu guarida, defende a legalização total do aborto, e muitos dos seus partidos-membros, nomeadamente o Bloco de Esquerda, propugnam a legalização da adopção de crianças por homossexuais e a eutanásia. Mas se a Igreja não viu que entrava em contradição com os seus próprios valores ao abrir portas ao Partido da Esquerda Europeia, este também não teve problemas em acolher-se sob o tecto de uma casa de religião e de, a partir dali, numa sessão pública de encerramento, “evangelizar” novos acólitos para a sua causa. Tudo debaixo do olhar de Jesus Cristo na cruz.

O Seminário de Vilar, um histórico estabelecimento de ensino religioso adaptado em 1989 a centro diocesano e casa de retiro da Igreja, está destinado ao serviço pastoral dos inúmeros Secretariados e Movimentos católicos que ali estão sediados. Mas recentemente, com o pretexto de “rentabilizar” as enormes “capacidades do Seminário”, a Igreja permitiu a prestação de serviços de natureza hoteleira que, desenquadrados da missão espiritual daquela casa, pouco têm de religioso.

Assim, além de ter sido introduzido um serviço de cafetaria, bar e esplanada, o Seminário ainda dispõe de 90 quartos para alugar, 14 salas de reuniões e conferências e um auditório com 1.280 lugares.

Todas as facturas passadas aos radicais de esquerda que estiveram presentes tinham impressas a frase “A alegria do Evangelho é a nossa missão”. Olhando para o recente cartaz do Bloco de Esquerda, em que a figura de Jesus Cristo foi abertamente satirizada e desrespeitada, sendo disposta com um fundo cor-de-rosa e com a frase “Jesus também tinha 2 pais”, conseguimos compreender que o Partido da Esquerda Europeia segue outro evangelho, o evangelho de Marx, que proclama que “a religião é o ópio do povo”.

Na altura em que o Bloco de Esquerda divulgou aquele cartaz, que tanto escandalizou o povo católico, o vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. António Marto, considerou que a iniciativa era “lamentável e de mau gosto”, pois “atinge o mais íntimo da fé dos crentes”. O porta-voz da mesma Conferência Episcopal, Padre Manuel Barbosa, classificou o cartaz como uma “afronta aos crentes que seguem Jesus Cristo e os que são da Igreja, naturalmente”.

Durante o debate sobre a legalização do aborto em Portugal, o discurso entre os dois lados ainda foi mais inflamado, mesmo que a Igreja tenha evitado envolver-se no processo político de forma oficial. Mas em breve terá de envolver-se directamente na questão da legalização da eutanásia, que quer travar.

O debate em Portugal será certamente seguido pela extrema-esquerda europeia, até porque a esquerda radical portuguesa ocupa um lugar de considerável importância neste grupo. Marisa Matias não se conseguiu tornar Presidente de Portugal, mas tem o prémio de consolação de ser um dos quatro vice-presidente deste partido, ao mesmo nível de Alexis Tsipras. Foi a porta-voz do Bloco de Esquerda quem encerrou a sessão no Seminário de Vilar.

Um dos mais assanhados membros deste partido que jurou guerra sem quartel às causas católicas é, sem dúvida, o partido “A Esquerda”, sucessor do infame Partido Socialista Unido da antiga República “Democrática” Alemã, onde os católicos foram activamente perseguidos pela “tolerância religiosa comunista”. Vários destes partidos são descendentes directos de partidos que eram defensores do ateísmo de Estado durante a Guerra Fria, considerando que só o Estado todo-poderoso é que pode ser alvo de fé.

O Partido Comunista Refundado de Itália, por sua vez, é o descendente espiritual do antigo Partido Comunista, cujos militantes foram excomungados em massa por Sua Santidade, o Papa, no ano de 1949. Durante anos, o Partido da Democracia Cristã foi o grande opositor do PCI e evitou que o país que rodeia a sede da Igreja tivesse caído nas mãos do bloco soviético. A ironia é que a Igreja alugou um espaço a uma organização que, caso tivesse poder para tal, a aboliria.

Ainda hoje os efeitos do comunismo na Europa de Leste se notam em termos religiosos. Na Polónia, o Papa João Paulo II é venerado como um combatente contra a tirania que oprimia aquela terra. Do outro lado da fronteira, entretanto, as comunidades na Alemanha foram tão desenraizadas da religião por força do Estado que hoje quase 40 por cento da população é ateia.

Alheias a tudo isto, as autoridades religiosas do Porto receberam de braços abertos, num Seminário católico, a “nata” da “esquerda-caviar” europeia que, de cravo em punho, dali saiu às ruas a celebrar o golpe de 25 de Abril – ou, melhor dizendo, o PREC a que o 25 de Abril deu origem. PREC esse que os católicos ajudaram a travar, evitando que Portugal caísse na mais profunda tirania comunista.

Em Portugal, as causas da Igreja estão em recuo perante uma forte ofensiva de esquerda, que conta com imenso apoio entre a minoria barulhenta, o mundo da “cultura”, e ainda um enorme apoio mediático. Tudo razões que aconselhariam à Igreja do Porto um pouco mais de cuidado na escolha dos seus “hóspedes”.

Os temas “fracturantes”

Vasto é o rol de tendências, teses e comportamentos que separam a Santa Madre Igreja dos grupelhos esquerdistas radicais que defendem os chamados “temas fracturantes”. Alguns desses temas representam, de facto, uma fractura profunda no tecido cultural tradicional dos Portugueses e ofendem a sensibilidade da maioria. Eis três dos principais:

Eutanásia

A Igreja e a extrema-esquerda estão em total oposição no caso da eutanásia. Agora que deu entrada no Parlamento uma petição para que o tema seja debatido, tudo indica que esta será uma nova luta entre os católicos e a minoria radical.

Para que a petição seja alvo de votação, é necessário que algum dos partidos apresente um projecto para que tal aconteça. O Bloco de Esquerda, membro do Partido da Esquerda Europeia, já se chegou à frente. “O Bloco de Esquerda já disse que irá apresentar um projecto de lei sobre esta matéria justamente no sentido de reconhecer a legalização, ou a despenalização, da eutanásia e que o fará até ao fim desta legislatura”, afirmou José Manuel Pureza, deputado do Bloco e vice-presidente do Parlamento.

A Igreja, pela sua parte, está em total oposição a esta proposta do Bloco. “A alternativa, a única que há, é cuidar da vida e de todas as vidas. Não há outras alternativas no sentido humano e cristão” – afirmou, no início de Março, o Padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa. Numa nota divulgada à imprensa, intitulada “Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador”, a CEP considera que “não pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima: a inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular”.

Os bispos avisam também para o potencial desumanizador da proposta, ficando o alerta para o risco de os mais fracos da sociedade poderem sentir-se “socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem ‘a mais’ ou ‘um peso’”. Os bispos portugueses recordam ainda que a eutanásia viola a Constituição, que afirma categoricamente que “a vida humana é inviolável”.

O Bloco de Esquerda, pela sua parte, considera a eutanásia “um direito humano” e quer que o assunto seja votado até ao fim da legislatura. Ao contrário do caso da legalização do aborto, o Bloco desta vez não aceita que seja feito um referendo sobre a questão. A CEP, da sua parte, apela a um “vasto trabalho de esclarecimento” para se travar a aprovação desta prática.

Aborto

Um dos temas mais “fracturantes” dos últimos anos, o aborto foi legalizado em Portugal após uma longa batalha política e mediática. Em 2006, em plena campanha para o referendo realizado em 2007, D. Jorge Ortiga afirmava que a Igreja era “inequivocamente pela vida desde a concepção até à morte” e que rejeitava “a malícia intrínseca de todo o aborto provocado”.

Toda a esquerda, pelo contrário, era a favor das práticas abortivas. O PSD decidiu não arriscar e não tomou posição, deixando a Igreja e o CDS-PP como os únicos lutadores contra a legalização desta prática. O BE não aceita, no entanto, qualquer interferência na “sagrada” legalização do aborto, sendo contra que se paguem taxas moderadoras quando se faz um aborto, e não aceitando uma petição de cidadãos que pedia a criação de “mecanismos de apoio à maternidade e à paternidade, durante o período de reflexão” e “consultas com um psicólogo e um técnico de serviço social” antes de uma mulher optar pelo aborto.

Adopção “gay”

O cartaz do Bloco, que rapidamente se tornou infame e cuja autoria foi imediatamente atirada de um lado para o outro, esfregava na cara de todos os católicos a recente conquista dos extremistas de esquerda. Foi uma das primeiras leis propostas pela nova maioria, e que o Presidente da República Cavaco Silva ainda vetou numa primeira fase, mas que foi depois aprovada com os votos a favor da esquerda, e ainda por alguns deputados do PSD.

A Igreja, no entanto, não aprova de todo as iniciativas da esquerda, notando que dentro do “pensamento social cristão” há necessidade de famílias compostas pelo género masculino e feminino. D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou: “trata-se, em suma, de salvaguardar a vida humana em todas as suas fases, da concepção à morte natural, da valorização da vida familiar e da educação dos filhos, com referência masculina e feminina de geração ou adopção”.

  • João Carvalho

    O Templo está a precisar de uma limpeza aos seus vendilhões! As palavras de vanguarda do Papa Francisco tem sido uma luz-guia para todos os que recusam tradições preconceituosas. Se elas são novas formas implícitas de subversão de Valores, então a Igreja Católica deixará de ser a “casa” de muitos de nós. Parece que na hierarquia da Igreja há uns que querem Construir e outros que, pelo contrário, tudo fazem para destruir.

  • Paulo Reis

    Faz falta em Portugal o Cardeal Cerejeira. A Igreja está a ser minada por dentro por esquerdistas, escapuzados de padres e bispos. D Januário Torgal é um deles, assume publicamente as suas posições de esquerda, sem que nada nem ninguem lhe diga nada. Agora esta mostra de total bandalheira. Temos de activar certos conventos, que serviam de clausura a esta gente, que se mistura com gente de bem.

    • Teixeira.net

      Não se esqueça das Palavras do Mestre deixe de dar tanta importância aos formalismos. Veja o que Cristo acha que lhes vai acontecer:

      “Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”
      Lucas 18:8

  • Teixeira.net

    Quando um Partido de esquerda não se incomoda (ou escandaliza) em apresentar num dos seus cartazes, a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda por cima para dizer algo que tem a sua verdade, não ofendendo Deus (que seria o que dantes esperaríamos) acho que isto roça o milagre!

  • Teixeira.net

    “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.

    Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
    Porque quem não é contra nós, é por nós”.

    Marcos 9:38-40

    • Teixeira.net

      Não confundais os crentes automaticamente de Católicos. Embora, naturalmente tenha passado a minha vida na companhia de muitos católicos, outras confissões, etc,…
      Há coisas complicadas. Como é que os teólogos do Vaticano (e outros) conciliaram a Teoria da Evolução com o relato de Génesis. Esqueçamos os simbolismos. Mas se pusermos de lado também os conteúdos, ficamos com o quê?
      CRISTÃO (não pertencente a nenhuma igreja particular).
      Embora a negação da divindade de Cristo e a Igreja Anglicana, sejam exemplos de coisas inaceitáveis para mim.

  • Teixeira.net

    “Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”

    Lucas 18:8

  • Leão Detroll

    O Syriza e’ uma fraude e por isso o partido comunista Grego não lhe da apoio !!!