Depois de uma entrevista recheada de fotos pimba à revista “Paris Match”, o ministro das Finanças grego proclamou o seu arrependimento. Mas já foi tarde: Varoufakis, o ídolo da esquerda caviar, mostrou a sua verdadeira face de pavão deslumbrado.

Tantas vezes vai o cântaro à fonte que acaba por ficar em cacos. Mal foi nomeado ministro das Finanças do governo da esquerda radical saído das eleições de Janeiro passado na Grécia, o ego de Yanis Varoufakis começou a inchar.

Depois das suas primeiras aparições públicas já ninguém se lembrava do economista doutorado em Inglaterra e professor em universidades da América e da Austrália, especialista em teoria de jogos.

Em vez de chamar as atenções para as suas propostas no âmbito das negociações com os credores da União Europeia, preferiu dar nas vistas por outros motivos – escolheu apostar nas aparências… para esconder o vazio das essências.

O grego começou por ignorar o provérbio “em Roma sê romano” e optou por cultivar a pose de ‘enfant terrible’, desafiando o sensato ‘dress code’ dos seus pares.

Mas não se contentou em mostrar o seu desprezo pelo fato e gravata burgueses vestindo umas irreverentes calças de ganga e camisa por fora: juntou ao guarda-roupa casual um cachecol Burberry’s, uma piscadela de olho à famosa marca de luxo britânica.

Nova reunião internacional, nova injecção de vaidade: o herói da classe operária exibiu um sobretudo Barbour, outra marca de luxo inglesa. A esquerda caviar portuguesa rejubilou – tinha encontrado um novo ídolo, um político de sucesso (?) que não tinha vergonha de assumir um estilo de vida em flagrante contradição com a sua “opção de classe”. A atitude de Varoufakis vinha dar razão às palavras de um pioneiro daquela sensibilidade política a quem tinham apontado a incoerência entre as palavras e os actos: “Sou comunista, não sou franciscano…”

E o pavão foi inchando, inchando. Até que, esta semana, Varoufakis não resistiu e, qual cantor pimba ou novo-rico aspirante a ‘socialite’, abriu as portas de sua casa à mãe de todas as revistas cor-de-rosa: a francesa “Paris Match”. Perante as objetivas de fotógrafos habituados a captar imagens de vedetas da moda e de cabeças coroadas, o intelectual de esquerda revelou-se um deslumbrado.

E mostrou aquilo que, inevitavelmente, a revista francesa classificou como o seu “ninho de amor”: uma foto ao piano; outra foto com um livro na mão a cruzar o olhar com o da mulher; outra ainda do casal à mesa, com peixe grelhado, salada e vinho branco e o solícito ministro a servir a mulher; tudo coroado pela foto do casal abraçado, com destaque para o pormenor dos intermináveis saltos ‘stiletto’ dos sapatos da senhora e para a Acrópole em fundo…

Claro que Varoufakis começou a entrevista por declarar o seu “desprezo” pelo ‘star-system’. Mas soou a falso. Quando viu o resultado publicado, percebeu que tinha metido a pata na poça. No último domingo foi a correr, batendo com a mão no peito, confessar ao canal de televisão grego Alpha TV: “Gostaria que aquela sessão fotográfica nunca tivesse acontecido. Estou arrependido.”

De tanto inchar, o pavão rebentou. Uma lição para os seus admiradores cá pelo burgo. Com tanto caviar, a esquerda apanhou uma intoxicação…