clip_image002[1]Há 81 anos, a 16 de Junho de 1934, era inaugurada no Palácio de Cristal, no Porto, a 1ª Exposição Colonial Portuguesa, destinada a mostrar ao país e ao Mundo as realizações do Império Português.

Se a Exposição do Mundo Português, em 1940, foi o ponto culminante do duplo centenário da Fundação e da Restauração da nacionalidade, o êxito teve um precedente: a Exposição Colonial, realizada no Porto, seis anos antes.

À semelhança de outros países europeus com possessões ultramarinas, como a França (Marselha, em 1922, e Paris, em 1931) ou a Bélgica (Antuérpia, em 1930), também Portugal entendeu dever expor perante o mundo as realizações levadas a cabo no extenso império pluricontinental que permitia afirmar que a soberania da nacional se estendia do Minho a Timor.

Amélia Rey Colaço marcou presença na Exposição Colonial do Porto
Amélia Rey Colaço marcou presença na Exposição Colonial do Porto

Pela Constituição de 1911, as possessões ultramarinas – sob administração portuguesa desde a época dos Descobrimentos e da Expansão – passaram a ter a denominação oficial de colónias. O Acto Colonial, publicado no ‘Diário do Governo’ de 8 de Julho de 1930, manteve essa designação, que seria alterada para províncias ultramarinas a seguir à 2ª Guerra Mundial.

A 16 de Junho de 1934, sendo Presidente do Conselho de Ministros Oliveira Salazar e ministro das Colónias Armindo Monteiro, foi inaugurada no Palácio de Cristal a 1ª Exposição Colonial Portuguesa. O desdobrável bilingue (em português e inglês) então distribuído convidava todos a visitar a exposição e dava boas razões para isso: Portugal apresentava “na sua Exposição Colonial Nacional, não só os resultados brilhantes do seu esforço e actividade modernos, como também os seus métodos coloniais originalíssimos, reorganizados e valorizados por uma Política de ressurgimento nacional que pode constituir um exemplo nas agitadas horas de crise que o mundo atravessa.”

clip_image12311Nos edifícios do Palácio de Cristal e terrenos adjacentes estavam representados os territórios ultramarinos de África (Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe), Ásia (Índia e Macau) e Oceania (Timor). O visitante encontrava, separadas por curtas dezenas de metros, aldeias típicas de todas aquelas parcelas do Império, réplicas de monumentos coloniais, um jardim zoológico com animais exóticos provenientes do Ultramar e também as respectivas paisagens físicas: uma picada angolana, uma floresta tropical, uma zona desértica. A ideia era ficar com a sensação, depois de ter percorrido a exposição, de ter realmente visitado as longínquas paragens do Portugal “pelo Mundo em pedaços repartido”.

“Um dos mais vastos países do globo”

No ano anterior, ao encerrar a I Conferência dos Governadores Coloniais, também chamada I Conferência do Império, o ministro Armindo Monteiro lançara a palavra de ordem de Portugal como um dos mais vastos países do Mundo: “A um povo que, apesar de tudo, ainda se julga pequeno, mostrarão a imensidade e a variedade dos territórios que lhe pertencem e das raças que lhe andam ligadas. Provar-lhe-ão que ele forma não um país ibérico, comprimido numa nesga de terra europeia, mas uma nação que se dilata pelo Mundo tão largamente que os seus interesses abarcam ainda quase todos os mares e continentes. Indicar-lhe-ão que as suas responsabilidades se dividem, nesta hora de ruidosas ambições, por uma área imensa, que o coloca na categoria de um dos mais vastos países do globo.”

Os encantadores de serpentes da India
Os encantadores de serpentes da India

Foi justamente este conceito que esteve na base da elaboração do mapa, ainda hoje célebre, “Portugal não é um país pequeno”, em que as províncias ultramarinas portuguesas, desenhadas em contínuo, ocupam toda a Europa até à então Rússia Soviética. A autoria do mapa foi atribuída ao director técnico da Exposição Colonial, o capitão Henrique Galvão, conhecido africanista e mais tarde responsável pela Secção Colonial da Exposição do Mundo Português e deputado por Angola à Assembleia Nacional. Galvão passou depois à oposição ao Estado Novo. Comandou o assalto ao Santa Maria, em 1961, exilando-se em seguida no Brasil, onde lhe seria confirmada a doença mental de que acabou por morrer, em 1970.

A Exposição Colonial esteve patente até 30 de Setembro de 1934.

Salazar: “Não vendemos, não cedemos”

Salazar acompanhado por Armindo Monteiro e Henrique Galvão
Salazar acompanhado por Armindo Monteiro e Henrique Galvão

É curioso – e instrutivo – fazer o paralelismo entre a atitude política e ideológica de pretéritos e presentes governantes do regime actual, ansiosos por venderem (mesmo que ao desbarato) empresas e património nacional a interesses estrangeiros, e a tomada de posição serena e firme de Salazar, num discurso publicado em 1935, quando colocado perante o apetite dos poderosos pretendiam assenhorear-se daquilo que era nosso: “Portugal constitui com as suas colónias um todo, em virtude de um pensamento político que se fez pelos tempos fora realidade política.

Alheios a todos os conluios, não vendemos, não cedemos, não arrendamos, não partilhamos as nossas Colónias com reserva ou sem ela de qualquer parcela de soberania nominal para satisfação dos nossos brios patrióticos. Não no-lo permitem as nossas leis constitucionais; e, na ausência desses textos, não no-lo permitiria a consciência nacional.”

Visitai a Exposição Colonial Portuguesa que terá lugar na cidade do Porto, de Junho a Setembro de 1934

clip_image06511“Portugal, o mais antigo dos actuais países colonizadores, o país que através das suas descobertas deu novos mundos ao Mundo, vai apresentar, na sua Exposição Colonial Nacional, não só os resultados brilhantes do seu esforço e actividade modernos, como também os seus métodos coloniais originalíssimos, reorganizados e valorizados por uma Política de ressurgimento nacional que pode constituir um exemplo nas agitadas horas de crise que o mundo atravessa.

Quando o momento internacional se apresenta cheio de dúvidas e incerteza, de desorganização e de desordem, em confessada impotência contra a crise mundial, Portugal, com o sentido da sua grandeza, reorganizou-se na Metrópole e nas Colónias, onde a sua Política tem imposto a ordem, a arrumação, a disciplina – na vida social, política, económica e financeira.

A Exposição Colonial Portuguesa será uma realização do espírito português, renovado por um Estado Novo, na sua obra Colonial.

Realiza-se a Exposição na antiga e nobre cidade do Porto, a segunda cidade do país, no centro duma das mais admiráveis zonas de turismo – a cidade que deu o nome ao vinho mundialmente conhecido.

Visitai a Exposição Colonial Portuguesa que terá lugar de Junho a Setembro de 1934, no país do sol e na cidade mais pitoresca e característica de Portugal.”

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