Inclusão e cidadania plena

Inclusão e cidadania plena

JOSÉ SERRÃOTerminou o Sínodo dos Bispos sobre a Família e o relatório final não obteve a maioria necessária para poder aprovar a inclusão plena dos divorciados e dos homossexuais aos sacramentos, incluindo a comunhão.

Promovido pelo Papa Francisco, este encontro no Vaticano marca uma abertura da Igreja a temas tão fracturantes no seu seio e, ainda, infelizmente, na sociedade.

Francisco tem revelado, no exercício do seu pontificado, pese embora as questões teologicamente dogmáticas, uma anima nova no caminho da inclusão, afastando-se da tradição doutrinária de excluir todos os que não estão ou não podem ou, no seu dizer, se auto-excluíram da graça de Deus.

Saúdo, sempre, todos os que ousam lutar pela inclusão e não se limitam a justificar o porquê da exclusão, ainda que o argumentário seja perfeito, tecnicamente rigoroso e assente na tradição histórica. Assim acontece no seio das religiões e assim acontece no seio de outras instituições, mesmo quando se reclamam defensoras do princípio da absoluta liberdade de consciência.

Se nas religiões se faz do TODO uma parte, a sua parte, excluindo os demais, também outros ousam querer determinar e impor urbi et orbi a sua verdade aos demais, reclamando para si direitos e prerrogativas que ninguém lhes conferiu, nem podia, porque são universais e, consequentemente, insusceptíveis de serem apropriados ou manipulados por quem quer que seja.

O Sínodo de Roma não determinou o acesso dos divorciados, dos homossexuais ou mesmo dos que vivem em união de facto aos sacramentos e a uma vida plena no seio da igreja. Porém, pela primeira vez, as portas do Vaticano abriram-se para que estes assuntos fossem discutidos.

Acontecendo esta discussão, a Igreja revela capacidade para em breve poder incluir e não excluir todos os seus fiéis e quiçá abrir-se a novas “verdades” na senda da unidade das pessoas e dos povos.

Esta via da inclusão deve ser objecto de reflexão de todos nós, sem qualquer excepção.

Com efeito, também no governo da cidade (política) ninguém deve ser excluído, mas, ao invés, incentivado a ter uma participação activa, cívica, empenhada na causa pública.

Nós, cidadãos, tão ávidos a apontar o dedo da imperfeição aos que elegemos e nos governam ou fazem oposição e tão pouco capazes de reconhecer esses mesmos defeitos em nós, também temos graves responsabilidades e novos desafios.

Desde logo, porque somos os primeiros a excluir… Desde logo, porque somos incapazes de ter da política uma visão nobre, inclusiva de todos e, naturalmente, de cada um de nós… Desde logo, porque nos remetemos à cómoda posição de estar de fora a criticar e jamais “calçarmos os sapatos” dos que democraticamente foram eleitos para a função de governar.

A confiança entre eleitos e eleitores, ou a falta dela, também impende sobre nós e as nossas condutas… Não basta votar. Urge ser Cidadão pleno.

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