Salve, César!

Salve, César!

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PAULO FERRERO

  • Salve, César!
  • Título original: Hail, Caesar!
  • De: Ethan Coen, Joel Coen
  • Com: Channing Tatum, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Ralph Fiennes, Josh Brolin, Frances McDormand, George Clooney

“Salve, César!” (não devia ser Avé?) é mais uma das muitas sátiras feitas a Hollywood pela própria, de que Mel Brooks foi um dos últimos expoentes, e é mais uma tentativa (semi-gorada) dos manos Coen em adquirirem galões num território, as comédias – por sinal, todas com George Clooney –, onde costumam ser alucinados (sem que isso signifique necessariamente ‘screwball comedy’…) mas atabalhoados, o que colide frontalmente com o vastíssimo palmarés obtido nos seus filmes sérios e incontornavelmente sangrentos, ainda que todos, mas todos, tenham sempre aquela pitada de humor corrosivo e a propósito.

E se à primeira tentativa com «Irmão, Onde Estás?» (2000), uma ‘charge’ aos filmes de fugas de prisão, houve desastre, e à segunda, “Crueldade Intolerável” (2003), o engulho foi logo à primeira comparação com a dupla original de antanho, Grant (C) & Hepburn (K), que lhe servira de inspiração, à terceira o que fica é uma amálgama de episódios desgarrados, alguns, outros metidos a martelo, quem sabe se cortados na pós-produção, de que o da Sra. Joel Coen, Frances McDormand, é sintomático, apesar de no caso ser um episódio de morrer a rir.

Talvez que o filme fosse melhor se satirizasse o burlesco e os filmes religiosos do Mudo, ou os anos 30-40 de Busby Berkely & Cia., e não tanto as produções dos anos 50, pois aquele legionário de Clooney tem muito mais de Robert Taylor e de Zero Mostel do que propriamente de Kirk Douglas, convenhamos. Mas compreende-se que a ameaça-fobia comunista (e como são geniais as cenas com os argumentistas-conspirativos) e os filmes da “sereia” Esther Williams ou os do sapateado de Gene Kelly (Channing Tatum está a tornar-se um caso sério de versatilidade) tenham sido uma tentação irresistível para Ethan e Joel Coen.

Josh Brolin leva muito a sério tudo em que entra e aqui não foge à regra. Mas Clooney, que leva quase tudo a reinar, mete o filme no bolso, ainda que as chapadas que leva daquele sejam mais que merecidas. Scarlett continua a ser Scarlett e o resto é um filme com excessivas referências cinéfilas e argumento a menos.

Mas eram assim os filmes de Dick Powell e Myrna Loy e entretinham e continuam a entreter bastante. Enquanto isso, os estúdios continuam e a Lockheed já se foi.

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