183189_192161620808568_6202532_nPAULO FERRERO

Título original: Madame Bovary

Realização: Sophie Barthes

Com: Mia Wasikowska, Ezra Miller, Laura Carmichael, Henry Lloyd-Hughes, Paul Giamatti

EUA/BEL/ALE, 2015, 118 min.

Estreia: 25 de Junho de 2015.

Ainda não foi desta, M. Flaubert!

Convenhamos que se já não é fácil transpor para a tela uma obra literária, seja ela qual for, muito mais difícil será adaptar ao grande ecrã um colosso da literatura intitulado “Madame Bovary”, uma obra profundamente dramática, cruel e erótica, e já de si provavelmente bastas vezes mal traduzida. Por isso tem que se dar um desconto à franco-americana Sophie Barthes, mais a mais tratando-se da sua segunda longa-metragem enquanto realizadora, até porque Flaubert terá sempre poucas afinidades com Manhattan ou Sundance…

A prova é que não é de agora a manifesta mediania da maioria esmagadora das relativamente poucas adaptações cinematográficas feitas sobre a novela (receio do papagaio de Flaubert?), cujo autor uma vez disse que “o melhor da vida passa-se a dizer ‘é muito cedo’, e depois ‘é muito tarde’”.

E não será porque para ser um bom filme, ele tem obrigatoriamente que ser filmado em língua francesa – basta ver que a melhor Emma Bovary de sempre terá sido a que Jennifer Jones interpretou na versão americana de Minnelli, em 1949, se bem que o melhor filme possa ser o de Chabrol, de 1991, o que está longe de estar provado, preto no branco.

Aparentemente, esta adaptação de Barthes tem tudo para dar certo – a lente no ângulo certo, a fidelidade ao texto, diálogos em inglês com larachas em francês e até a Normandia é filmada – mas não terá o essencial, i.e., a credibilidade das personagens principais.

Desde logo a da personagem principal. Mia Wasikowska tem um ar de criança saída dos romances de Dickens do princípio ao fim, e dos amantes dela é melhor então nem falar porque dão vontade de rir. Não se vislumbra sequer a mulher-leoa que inflamava e trucidava todos quantos lhe passaram à frente. Desconhece-se o que lhe vai na cabeça e na alma. Falha também a narrativa, algumas vezes aos tropeções.

Resumindo, sente-se uma total apatia pelas personagens principais, e quando assim acontece é porque algo não correu lá muito bem. Que passe bem este casal Bovary…

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