diaboPAULO FERRERO

 

Missão Impossível: Nação Secreta

  • Título original: Mission: Impossible – Rogue Nation
  • Realização: Christopher McQuarrie
  • Com: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg
  • EUA, 2015, 131 min.
  • Estreia: 13 de Agosto de 2015.

Corre, Tom, corre

“Nação Secreta” é o quinto filme da série cinematográfica “Missão Impossível”, cunhada por Tom Cruise & Cia. Lda. a partir de 1996, baseada na mítica série televisiva homónima (ou será o contrário?) que fez as delícias de tantos ainda no tempo do nosso serviço público a preto e branco e já depois, também, e da qual ninguém esquece nem o fabuloso genérico, da mão a acender o fósforo e este a incendiar o pavio que se vai consumindo ao som da não menos fabulosa música do argentino Lalo Schifrin, nem os rostos de Peter Graves ou do casal Martin Landau e Barbara Bain.

São justas as críticas que rotulam estes “Missão Impossível” como uma marcação homem-a-homem, falando em “futebolês” corrente, à série 007, ou melhor, uma marcação agente-a-agente, de Ethan Hunt ao homólogo Bond, James Bond (por ex. neste novel filme, o vilão veste-se à Blofeld, a personagem feminina, que por acaso se chama Ilsa e até passa por Casablanca, é claramente uma ‘bond girl’). Contudo, é precisamente neste filme que agora se estreou, que mais se homenageia a série televisiva dos anos 60, com detalhes que não passarão indiferentes aos mais atentos.

Também é verdade, embora injusto, que estes filmes servem como balões de oxigénio a Cruise, cuja carreira já viu muito melhores dias, convenhamos. Mas ele gosta do que faz, é convincente, não usa duplos e corre como ninguém mais corre, estando aí para as curvas.

Tudo isso é verdade, mas cinema é isto mesmo, um eterno ritornello ao que todos já vimos, aqui ou ali, salvo naquelas raras excepções sob algum toque de génio, o que não é o caso. Portanto, desta vez, nada a opor, pelo que vale bem a pena mandar os preconceitos às urtigas e ir a correr ver este novo fôlego do ex-marido de Mimi, Nicole e Katie, em ‘one man show’. Delicie-se com a série de perseguições estonteantes, de história simples e escorreita, a que não faltam cenários turísticos de encher o olho, boas marcas, luxo, violência e sangue com fartura, uma gargalhada espontânea aqui e ali e algumas claras piscadelas de olho a Hitchcock.

Portanto, nada a opor, Tom.

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