O Rei da Comédia

O Rei da Comédia

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183189_192161620808568_6202532_nPAULO FERRERO

A propósito da exibição na Cinemateca, no passado dia 24 de Junho, do singular “O Rei da Comédia” (1982), de Scorsese (que estreou em Lisboa no defunto Cinema Londres, e para o qual Lewis foi uma segunda escolha depois de Johnny Carson o ter declinado), integrado na retrospectiva “Jerry Lewis – A Ordem Desordenada”, nada melhor do que dedicar estes caracteres ao genial comediante, agora com 89 anos, a quem alguns vaticinaram que cairia em desgraça a partir do momento em que terminasse a celebérrima parceria com Dean Martin, das décadas de 40 e 50, um prognóstico que nunca se cumpriria, muito pelo contrário e ainda bem.

E se ”Rei da Comédia” pode ser exagerado, se nos lembrarmos de Chaplin e Keaton, ou Lloyd, as referências maiores do cinema de comédia (e muito do demais, já agora), e é verdade que continua a haver quem deteste as “caretas” de Jerry Lewis, o facto é que é no sonoro, e de forma ainda mais evidente na passagem do preto e branco à cor, onde há um antes e um depois de Lewis. Para isso não terão contribuído apenas a sua presença assídua na rádio e na televisão, os ‘shows’ que fez pelo mundo depois do arranque em Atlantic City, o seu filantropismo ou a sua nomeação ao Nobel da Paz.

Jerry Lewis desfez tabús e revolucionou a ‘mise-en-scène’ (a este propósito veja-se a obra-prima que é “O Homem das Mulheres”, de 1961, ainda que inspirada em Tati). Lewis teve a ajuda preciosa de Tashlin e Taurog mas foi (é), como a Cinemateca tão bem o apresenta, “o último dos ‘cómicos totais’ do cinema americano, controlando os seus filmes ao mais ínfimo pormenor, e dominando, com a sua presença, o que se passava diante da câmara”. Apenas o público contava para Lewis. E o público contou sempre com Lewis e o seu contorcionismo.

Por isso há que aproveitar a oportunidade que a Cinemateca nos dá em o (re)vermos, pois já não há nem Caleidoscópio nem Berna e a RTP olvidou-o.

Ah, e se há filme de Lewis que se deva levar para uma ilha deserta, é escolher sem hesitar “Jerry no Grande Hotel”, de 1960, o seu primeiro enquanto realizador.

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