É favor atirar a matar nele!

Às vezes há filmes em que dá gosto bater e “O Atirador”, de Pierre Morel, é um deles, indubitavelmente: é um filme oportunista até dizer chega (mais uma vez o desgraçado do Congo serve de pano para mangas), parvo (alguém com três dedos de testa acredita naquela historieta?), previsível (Morel deve pensar que o espectador comum não sabe o que são filmes de ajuste de contas e que não topam o vilão mal ele entra em acção) e repetitivo (ora há tiros ora há perseguições, ora vice-versa), mas pretensioso, muito.

Tem ainda o condão de fazer regredir Sean Penn ao seu estado primário, aos papéis dispensáveis do início da sua carreira, quando era ainda marido de Madonna, de jovem brutamontes e mentecapto musculado à Rambo, o que só por si é obra, mas que é também um enorme contra-senso pois Penn é (ele e só ele) o chamariz deste filme.

Uma coisa é Morel usar e abusar de Liam Neeson e Jason Statham para “correios de risco” e afins, outra, bem diferente, é fazer ao oscarizado Penn, e a Bardem, já agora, seu parceiro nesta paródia, o que Morel lhes faz (e ambos deixaram que lhes fizesse) neste filme para esquecer, e já. No meio de tanta pouca vergonha, salva- -se a romana Jasmine Trinca (era a irmã do desaparecido no inolvidável drama de Moretti, de 2001, “O Quarto do Filho”), que, talvez ingenuamente, leva o filme bastante a sério. A Penn recomenda-se que não produza mais coisas destas. A Bardem que não se cole a vilões do burlesco de 007.

E a Morel recomenda-se uma acção de formação urgente, de preferência recorrendo a sessões contínuas de filmes de Friedkin ou Frankenheimer, só para falar em dois dos expoentes do cinema de acção feito mais recentemente.

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