Ilo, Ilo

Ilo, Ilo

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Paulo Ferreno

Uma Singapura desconhecida

A Singapura de “Ilo, Ilo”, do estreante Anthony Chen, não tem um átomo que seja daquela cidade-estado estereotipada, modelo, mesmo, que todos nos dizem ser a cidade mais cara do mundo, centro financeiro de referência, uma das mais evoluídas dos nossos tempos e onde é possível ter um PIB ‘per capita’ de fazer inveja a muito 1.º e 2.º mundo e impossível encontrar-se um papel que seja no chão das suas “super-avenidas”.

Não, a Singapura retratada neste dramático 100 por cento oriental é uma cidade pouco mais que de subúrbio, onde os blocos habitacionais se confundem uns com os outros e a classe média aqui protagonista vive em cubículos o drama dos despedimentos sem aviso prévio, para logo ter as vidas viradas do avesso num abrir e fechar de olhos: um retrato do drama por que passou praticamente toda a Ásia desenvolvida em finais dos anos 90, aquando da crise financeira sobejamente noticiada ao tempo.

Em “Ilo, Ilo”, aliás, muitas das peripécias vividas aqui pelas personagens de pai, mãe, filho e criada (filipina e chamada Teresa, claro) são como contadas na primeira pessoa, pois serão fruto da própria experiência pessoal vivida pelo realizador, enquanto criança.

O problema de “Ilo, Ilo”, contudo, é que se puxarmos um pouco pela memória, logo começaremos a rever mentalmente vários filmes parecidos com “Ilo, Ilo”, a maior parte deles orientais, e alguns deles com situações e peripécias idênticas. Isso faz com que “Ilo, Ilo” seja de menosprezar? Claro que não. Ou de que não vale a pena falar-se do cinema feito em Singapura, e que um dia ele será capaz de ombrear com o cinema sul-coreano, por exemplo? Também não, mas ainda lhe falta muito para lá chegar.

  • Título original: Ilo, Ilo
  • Realização: Anthony Chen
  • Com: Angeli Bayani, Koh Jia Ler, Tian Wen Chen, Yann Yann Yeo
  • SIN, 2013, 99 min.
  • Estreia: 7 de Agosto de 2014.

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