História dos Judeus

História dos Judeus

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JOÃO VAZ

Este livro celebra a persistência e a resistência dos judeus. E mais alguma coisa. São milhares de anos de história, de memória, de permanência. Das terras de Israel à Península Ibérica, do Egipto ao Iraque. Em todo o lado onde haja uma presença dessa gente com a qual Deus, alegadamente, celebrou uma aliança duradoura, embora eles a tivessem colocado em causa algumas vezes.

Começa no Egipto, este primeiro volume (esperamos pelo segundo), mais concretamente na fronteira com a Núbia, num posto avançado habitado por mercenários judaicos, e termina na Península Ibérica, em Portugal, com a expulsão decretada por D. Manuel I.

Pelo meio viajamos pela Babilónia, Roma, Inglaterra, Espanha. Conhecemos episódios de tolerância para com os filhos de Israel e outros de violência, muitas vezes motivados pela necessidade de capital, numa altura em que a extorsão organizada pelo Estado não se encontrava tão bem oleada como nos nossos dias.

São séculos de convivência difícil, com o povo sempre à espreita de uma ocasião para o seu ‘pogrom’, convenientemente estimulado por quem encontrava nele a possibilidade de realização de interesses. Discussões teológicas, debates entre crentes dos três monoteísmos e factos mais ou menos desconhecidos, como a história da presença judaica na Península Arábica, região que outrora teve uma ampla comunidade capaz de se constituir como reino, cujos monarcas maiores não se coibiram de massacrar cristãos, cujos nomes não recordamos para posteriores memoriais ou pedidos de desculpas.

Episódios como a construção desse edifício de comentários que é o Talmude (onde as ofensas a Jesus e Maria não são, afinal, ofensas a Jesus e Maria mas apenas a um Jesus e uma Maria anónimos – mas que deviam ser tremendamente importantes para merecerem tamanhos insultos). Episódios como a heterodoxia de Maimónides e posteriores confrontos entre os seus seguidores e os defensores da ortodoxia, numa cena tantas vezes vista entre tantas diferentes crenças.

Enfim, uma leitura rica, apenas maltratada pelas muitas gralhas que pontuam o texto e conduzem a situações absurdas, como a de se referir Vespasiano como tendo vivido por alturas de 79 antes de Cristo, ou referências ao cristianismo antes do nascimento de Jesus. Demasiadas gralhas para um volume que não é tão barato quanto isso – mas esse problema é recorrente na edição nacional, apesar de ter melhorado nos últimos anos.

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