A Lisboa da Belle Époque

A Lisboa da Belle Époque

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JOÃO VAZ

Este é um estudo despretensioso sobre Lisboa na transição entre séculos, mais concretamente do XIX para o XX. Em quatro capítulos, Lisboa a Traços Largos no Tempo da Belle Époque, Uma cidade de contrastes, Lisboa íntima e a Lisboa que se diverte ficamos a conhecer os espaços e a vida dos lisboetas nesse final de século marcado pela novidade, o advento da tecnologia, a esperança positivista.

Percorremos nestas páginas a Avenida da Liberdade, consagrada como espaço de eleição pela burguesia lisboeta e lugar de exibição dos primeiros aceleras citadinos. Conhecemos os gostos, os hábitos, os tempos e ritmos dessa gente tão actual na sua pequenez e no seu provincianismo deslumbrado pelas coisas vindas do exterior, seja ele “civilizado” ou “exótico”.

Exactamente o que sucede hoje com muitas das nossas elites ilustradas (é favor ler sem rir), com o seu fascínio parolo por Londres ou Nova Iorque, lugares de encanto e de fixação de um imaginário pobre para edificar as suas próprias construções.

E o povo. Evidentemente, o bom povo não pode ficar de fora. O bom povo que se divertia nos arraiais, nos passeios domingueiros aos arredores, que vivia nos bairros pobres e insalubres, que escutava os fadistas desordeiros e outros elementos pouco recomendáveis, em tempos onde a canção não era moda e o mundo inteiro não era ainda fadista.

O bom povo, para o qual a revolução republicana se fez – dizem – e que dela nada tirou a não ser a continuação da decadência plasmada na monarquia constitucional. Porque tudo tem de mudar…

E, também, a novidade. O animatógrafo, a electricidade, o telefone, uma modernização trazida lentamente e que continuará, durante anos, a conviver com uma ruralidade entranhada, simbolizada pelos saloios que se deslocavam à cidade com os seus produtos. Pelos burros e ranchos de perus que se cruzavam com os transeuntes. Pelas carroças que entrarão bem pelo século XX.

E pelos migrantes, os que chegavam da Beira, do Alentejo, para refazer aí uma vida que descambará por vezes na pequena criminalidade, na mendicidade que se cruza com o vício burguês dos cafés da Baixa e procurará ser extirpada pelas autoridades, em nome do saneamento moral e dos valores maiores do trabalho e do progresso.

E a música. A moda, importada de Paris quando havia capital para isso, e que obrigava as senhoras à exibição de vestimentas apropriadas para o Inverno mais rigoroso do norte, mas não para a amenidade da capital. O teatro, a necessidade de ser visto. O passeio público.

E mais. Muito mais que isso. Num volume de leitura agradável, ainda por cima enriquecido com ilustrações da época, com destaque para as maravilhas fotográficas de Joshua Benoliel, retratando alguns momentos que nunca mais se repetirão.

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